Rui Rio nega ter proposto acordo parlamentar de dois anos com o PS (com áudio)

O líder social democrata negou alguma vez ter sugerido um acordo parlamentar a dois anos com o PS depois de o primeiro-ministro, António Costa, ter rejeitado essa possibilidade ao acusar Rio de falta de “experiência de ação governativa”.

António Costa rejeitou um acordo de dois anos com o Partido Social Democrata, mas o presidente do PSD garante que essa nunca foi sequer uma hipótese que estivesse em cima da mesa.

“Nunca propus um acordo parlamentar por apenas dois anos. Disse que devia ser de quatro e que se podia avaliar a meio”, escreveu Rio no Twitter, acrescentando que “António Costa e alguma comunicação social estão intencionalmente a distorcer o que eu disse”.

Em causa estão as declarações do secretário geral do Partido Socialista em entrevista à “CNN Portugal” onde recusava um acordo de dois anos. “O país não precisa de governos provisórios de dois anos, o país precisa mesmo é de estabilidade durante quatro anos. Precisa de uma solução para quatro anos”, sublinhou António Costa que já assumiu que pretendia alcançar maioria absoluta. “Metade mais um”, disse durante a mesma entrevista.

O primeiro-ministro rejeitou assim a possibilidade de negociar com Rui Rio, criticando ainda a “espécie de Governo provisório de dois anos” que o líder social-democrata parece sugerir.

“A proposta de Rui Rio é de quem não tem experiência de ação governativa”, acusou António Costa, reforçando que o país “precisa é de estabilidade durante quatro anos”.

A resposta de Costa surge na sequência de uma afirmação proferida pelo líder social democrata, a 15 de novembro, numa entrevista à Antena 1, onde Rui Rio admitiu negociar um acordo parlamentar com o PS para pelo menos meia legislatura, em caso de resultar das legislativas um Governo minoritário de um dos dois partidos.

Na entrevista, Rui Rio afirmou que abdica de formar Governo se para tal for necessário incluir o Chega no executivo, disse ser, a título pessoal, “tendencialmente” a favor de uma coligação pré-eleitoral com o CDS-PP e já admitiu manter-se à frente do PSD em caso de derrota nas legislativas.

Questionado sobre os vários cenários de governabilidade, Rio começou por colocar o da vitória do PSD, reiterando que a primeira opção seria dialogar com CDS-PP e IL, se tal permitir maioria no parlamento.

Se tal não for possível, defendeu que o PS, “ao contrário do que aconteceu nesta legislatura, devia estar disponível para negociar no sentido de viabilizar um Governo do PSD”, que teria de ser negociado, num entendimento que Rio gostaria que passasse por “reformas de fundo para o país”.

“Admito que possa ser complicado fazer um acordo parlamentar de legislatura, mas pelo menos metade da legislatura, seria mais sensato. E depois fazer um balanço ao fim de dois anos”, disse, considerando que tal seria “mais estável” do que acordos pontuais “lei a lei ou orçamento a orçamento”.

As mais recentes sondagens apontam que um bloco central seria a via mais rápida para a formação de um novo Governo sendo que o PS tem obtido cerca de 36% ou abaixo e o PSD tem-se posicionado como a segunda força política com mais de 30% dos votos.

 

 

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