Rupert Murdoch: as guerras empresariais da “velha raposa”

Uma das maiores batalhas do empresário aconteceu no início de 2007 para a compra do “The Wall Street Journal”.

O empresário nasceu em Melbourne, na Austrália. Filho de um casal aristocrata, herdou do pai o gosto pelo jornalismo. Começou por pegar na empresa australiana do pai, que controlava um jornal sem grande nome, transformando-a num dos maiores impérios de media, através de administração inteligente e ambiciosa e de uma série de aquisições bem-sucedidas. Assim ganhou o controlo de estúdios de cinema e de canais de televisão pagos, como a FOX, de operadoras de televisão por assinatura (Sky e Direct TV, por exemplo) e de jornais como o “New York Post” ou o “Wall Street Journal”.

Aliás, uma das maiores batalhas do empresário aconteceu no início de 2007 para a compra do “The Wall Street Journal”. Nesse ano, o milionário da News Corp (agora 21st Century Fox), empresa proprietária de uma centena de publicações impressas no mundo, além da rede de canais FOX e de estúdios de cinema , enviou um e-mail ao CEO da Dow Jones (a antiga proprietária do jornal), Richard Zannino, com o objectivo de marcarem um encontro.

Conhecido por ser um negociador implacável, Zannino explicou-lhe que “geria o negócio, o melhor que sabia” e que “a palavra final caberia sempre à família”. De acordo com Sarah Ellison, autora do livro “War at The Wall Street Journal”, o CEO não tinha interacção com a maioria dos Bancroft presentes no conselho de administração da empresa, alguns deles escritores e filantropos. O magnata iria aproveitar-se deste distanciamento para fazer uma proposta. Em Maio desse ano começou por oferecer 60 cêntimos de dólar por acção (43,9 euros), um prémio de cerca de 65% sobre o preço de mercado (a cotação da Dow Jones rondava na altura os 36 euros). Os Bancroft resistiram à oferta, seguindo os conselhos dos bancos de investimento Goldman Sachs e Merrill Lynch. Murdoch foi paciente e as negociações duraram três meses.

O “suspense” durou até ao último minuto e a família estava dividida na decisão. Mas quando as negociações pareciam não chegar a bom porto, Murdoch ofereceu-se para pagar os honorários dos consultores e advogados dos Bancroft, uma conta superior a 40 milhões de dólares. Um golpe de uma “velha raposa” habituada a investir nos meios de comunicação social.
Mais tarde, em 2011, o empresário enfrentou outra batalha: pediu desculpas públicas perante o parlamento britânico, após estoirar a bomba das escutas telefónicas no seu grupo de comunicação social, numa tentativa de estancar a ameaça ao seu império e que fez rolar a cabeça de altos executivos da News Corporation. Em apenas duas semanas a capitalização bolsista do grupo caiu 17%, ou seja, mais de oito mil milhões de dólares, um valor apenas sete vezes e meia inferior ao total do ‘império Murdoch’ (quase 60 mil milhões de dólares). Na altura, o magnata estava em 13° lugar entre os mais poderosos do mundo na “Forbes”.

O escândalo não se deu só ao nível empresarial. As escutas ilegais realizadas por jornalistas do ‘News of the World’ causaram baixas na política britânica. Nem o ex-primeiro-ministro David Cameron escapou: foi obrigado a ir ao parlamento justificar as suas relações com altos quadros da News Corporation.

Na semana passa, a Walt Disney Company anunciou oficialmente a compra de parte da 21st Century Fox, do magnata, por cerca de 52.400 milhões de dólares (cerca de 44 mil milhões de euros).

Ao adquirir esta parcela do império mediático de Rupert Murdoch, a Disney reforça a sua resposta ao crescimento da concorrente Netflix e assume também a dívida de 13.700 milhões de dólares (aproximadamente 11.500 milhões de euros) do grupo de comunicação social.

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