Rússia rouba cereais na Ucrânia: isto é o que se sabe

Perante um cenário em que dezenas de milhões de pessoas estão em risco de fome a nível mundial, alguns países estão a optar por assegurar a importação de qualquer cereal em vez de se concentrarem nas origens do cereal.

Os Estados Unidos da América (EUA) dizem que existem provas de que a Rússia está a “furtar” cereais ucranianos para “obter lucro”, segundo o secretário de Estado Anthony Blinken.

Perante a denúncia, Victoria Prentis, ministra da Agricultura do Reino Unido, apelou esta terça-feira a uma investigação sobre o alegado roubo de cereais.

Contudo, Kiev já tinha acusado a Rússia de roubar centenas de milhares de toneladas de cereais em abril, contribuindo para a escassez global de alimentos causada na sua maioria pela estimativa de 20 milhões de toneladas de cereais retidos na Ucrânia devido aos bloqueios russos.

No mês passado, os EUA alertaram 14 países – na sua maioria em África -, sobre a possibilidade de estarem a comprar cereais roubados, de acordo com um relatório do “New York Times” dado a conhecer no domingo.

As autoridades da Ucrânia estimam que 100.000 toneladas de trigo ucraniano roubado foram enviadas para a Síria pela Rússia.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse no mês passado acreditar que os relatos de grãos roubados são “falsos”, embora as imagens de satélite da Maxar Technologies partilhadas pela “CNN” pareçam mostrar navios russos a carregar grãos roubados a bordo.

David Beasley, chefe do Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas, afirmou que a escassez de cereais pode causar a morte de “milhões” a nível mundial, sendo que a Ucrânia é um dos maiores exportadores de trigo, milho e outros produtos para países de todo o mundo.

Josep Borrell denunciou ainda “a escolha vergonhosa da Rússia de transformar os alimentos em armas”, numa publicação feita no Twitter esta terça-feira.

Atualmente, o Egipto é o maior importador de trigo ucraniano e o Líbano e o Paquistão recebem mais de metade do seu trigo do país.

Perante um cenário em que dezenas de milhões de pessoas estão em risco de fome a nível mundial, alguns países estão a optar por assegurar a importação de qualquer cereal em vez de se concentrarem nas origens do cereal.

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