Rússia avisa que risco de guerra nuclear é “real”

Tanto a Ucrânia como a Grã-Bretanha desvalorizam as afirmações. O ministro ucraniano Dmytro Kuleba disse que considera o alarmismo da Rússia um sinal de fraqueza e o secretário de Estado das das Forças Armadas britânico não considera que um escalar do conflito esteja iminente.

POOL/Reuters

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, acusou a NATO de se envolver numa batalha por procuração contra a Rússia ao armar a Ucrânia, dizendo que isso criou um risco sério e real de uma guerra nuclear, avança a “Reuters”.

Lavrov foi questionado na televisão estatal russa sobre a importância de evitar a Terceira Guerra Mundial e se a situação atual era comparável à crise dos mísseis cubanos de 1962.

“Os riscos agora são consideráveis”, disse Lavrov. “Eu não gostaria de elevar esses riscos artificialmente. Muitos gostariam disso. O perigo é sério, real. E não devemos subestimá-lo”.

Para o ministro russo, armar o país que está em conflito é entrar na guerra como procurador e deixa o aviso aos EUA, dias depois de anunciarem que a Ucrânia irá receber 322 milhões de dólares (299 milhões de euros) em financiamento militar estrangeiro e 165 milhões de dólares (153 milhões de euros) em munições: “Guerra significa guerra”.

Tanto a Ucrânia como a Grã-Bretanha desvalorizam as afirmações de Lavrov. O homólogo ucraniano, Dmytro Kuleba, disse que considera o alarmismo da Rússia um sinal de fraqueza.

A Rússia perdeu a “última esperança de assustar o mundo ao apoiar a Ucrânia”, escreveu Kuleba no Twitter após a entrevista de Lavrov. “Isso significa apenas que Moscovo sente a derrota.”

Já o secretário de Estado das Forças Armadas britânico, James Heappey, disse à “BBC” que “a marca registada de Lavrov” no cargo tem sido este tipo de arrogância. “Não acho que agora haja uma ameaça iminente de escalada”, indicou.

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A situação poderá estender-se ao corpo diplomático espanhol, dado que Sergey Lavrov convocou esta quarta-feira o embaixador espanhol em Moscovo, Marcos Gómez.

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“O cinema vai ficar calado ou vai falar sobre isto? Se houver um ditador, se houver uma guerra pela liberdade, novamente, tudo depende da nossa unidade. O cinema pode ficar de fora?”, questionou. Por fim, disse que a sua crença é a mesma do clássico cinematográfico: “a liberdade não morrerá”.

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Ivan Kuliakd deve também devolver a medalha e reembolsar o prémio em dinheiro de 500 francos suíços (cerca de 477 euros) e pagar uma contribuição dos custos do processo no valor de 2.000 francos suíços (1908 euros). O russo pode pedir o recurso nos próximos 21 dias.
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