Rússia, Irão e Turquia organizam nova cimeira sobre a Síria

O encontro deverá ocorrer em fevereiro ou março do próximo ano na capital do Irão. Entretanto, o conflito está longe de se manter em cessar-fogo: só este ano, já morreram quase quatro mil pessoas nos diversos episódios de violência.

Rússia, Irão e Turquia acordaram em realizar a próxima cimeira sobre a Síria em Teerã em fevereiro ou março de 2022, dependendo da situação da pandemia de coronavírus, revelou o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano.

Em 1 de julho de 2020, líderes russos, iranianos e turcos realizaram uma cimeira online dedicada à regulamentação síria, onde foram discutidas as perspetivas de uma reunião presencial em Teerão quando a situação epidemiológica melhorasse.

A 17ª ronda de negociações entre o governo sírio e a oposição começou esta semana em Nur-Sultan, o novo nome da capital do Cazaquistão (até há pouco chamava-se Astana). Representantes especiais do Irão, Rússia e Turquia, como fiadores da trégua na Síria, estão a fazer a mediação entre o governo sírio e a oposição.

Mas as perspetivas de que o impasse entre as duas partes seja ultrapassado são poucas. Até porque já ficou claro que os três países que medeiam a paz – ou algo de semelhante que se passe no terreno sírio – estão todos alinhados com a possibilidade de Bashar al-Assad se manter no poder.

As eleições presidenciais ali realizadas este ano deram mostras de que a oposição não tem qualquer possibilidade de contar com um escrutínio minimamente justo para as suas pretensões.

O conflito, entretanto, e ao contrário da sensação criada pelos três países, está longe de se encontrar em regime de cessar-fogo. Evidência disso reside no facto de que a guerra em curso matou 3.746 pessoas só este ano, segundo revelou esta quarta-feira o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (SOHR). De acordo com dados da SOHR, 1.505 mortes foram de civis, incluindo 360 crianças.

O número é de longe o menor registo desde o início da guerra na Síria e confirma uma tendência de queda: no ano passado, os mortos chegaram aos 6.800, tendo sido de mais de dez mil em 2019.

O Observatório, uma organização não governamental (ONG) com sede no Reino Unido, mas com uma rede de fontes em todas as regiões da Síria, disse que 297 pessoas foram mortas em 2021 por minas terrestres e vários tipos de explosivos. A Síria ultrapassou o Afeganistão como o país com o maior número de vítimas registadas de minas terrestres e outros explosivos de guerra.

Os combates na Síria, que eclodiram em 2011 após a repressão brutal dos protestos contra o regime, diminuíram nos últimos dois anos mas não acabaram. As forças do regime apoiadas principalmente pela Rússia ainda atacam esporadicamente alvos no enclave de oposição de Idlib, no noroeste do país.

Os combatentes do Daesh, que passaram à clandestinidade depois de o auto-proclamado califado ter sido desintegrado em 2019, também realizaram ataques mortais no leste da Síria, segundo relatos das ONG no local.

A guerra na Síria matou cerca de meio milhão de pessoas e gerou o maior deslocamento de refugiados causado por um conflito desde a Segunda Guerra Mundial.

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