Rússia mais perto do primeiro grande default desde a Revolução Bolchevique

Em causa estão 100 milhões de dólares de juros relativos a dois títulos, um em dólares e outro em euros, que a Rússia deveria ter pagado até 27 de maio.

A Rússia está cada vez mais próxima de entrar em default. E pode ser já este domingo, uma vez que não há sinais em como os investidores que detêm obrigações russas receberam qualquer pagamento. A verificar-se a falta de pagamento, será o primeiro grande “default” da Rússia desde o período que se seguiu à revolução bolchevique, em 1917.

De acordo com a Reuters, desde que invadiu a Ucrânia – em 24 de fevereiro – a Rússia tem movido esforços no sentido de realizar os pagamentos relativos a 40 mil milhões de dólares em obrigações. Mas à invasão seguiu-se uma onda de sanções que, na prática, isolaram a Rússia do sistema financeiro internacional e também deixaram os ativos russos inacessíveis a muitos dos investidores.

A Rússia tem vindo a repetir que não há motivos para um default, mas que as sanações a têm impossibilitado de enviar dinheiro aos investidores que detêm títulos russos. Ou seja, acusa os países do Ocidente de tentarem forçar um default “artificial”.

Ainda de acordo com a Reuters, a Rússia deparou-se em finais de maio com um obstáculo insuperável no que toca às tentativas de pagamento, quando o Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA bloqueou os pagamentos feitos por Moscovo.

“Desde Março que que pensamos que um default da Rússia é provavelmente inevitável. A questão passou a ser ‘quando’”, assume à Reuters Dennis Hranitzky, responsável da firma Quinn Emanuel.

Ainda assim, persiste uma questão: e que efeitos terá um default russo? Em grande parte, um default da Rússia será simbólico. Porquê? Porque neste momento a  Rússia já não pode pedir dinheiro internacionalmente, mas – mais importante – não precisa disso devido às enormes receitas do gás e do petróleo. Mas um default não deixa de criar um estigma sobre o país que cai nele, pelo que provavelmente, no futuro, a Rússia vai pagar mais pelo dinheiro emprestado (quando o puder fazer).

Que pagamento está em causa este domingo? Em causa estão 100 milhões de dólares de juros relativos a dois títulos de dívida, um em dólares e outro em euros, que a Rússia deveria ter pagado até 27 de maio. O pagamento tem um período de graça de 30 dias, que expira precisamente este domingo.

O ministro das finanças russo disse que os pagamentos tinham sido feitos, em euros e dólares, salientando que a Rússia cumpriu com as suas obrigações. No entanto, é pouco provável que os fundos em causa cheguem aos investidores internacionais devido às sanções. Para muitos detentores de dívida deste tipo, o facto de não receberem nas suas contas o dinheiro que lhes é devido, dentro do prazo acordado, constitui um “default”. Ou seja, não basta dizer “o dinheiro já foi enviado”, é preciso que ele chegue.

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