Rússia publica lista de linhas vermelhas com o Ocidente

Moscovo exige que a NATO não continue a expansão para oriente e não organize exercícios militares em geografias circundantes da Rússia. E não quer a Ucrânia na organização. A NATO diz que isso é inaceitável.

A Rússia apresentou uma lista de linhas vermelhas que pretende impor como garantias de segurança e como forma de descer a tensão entre Moscovo, as capitais europeias e Washington – com implicações imediatas na Ucrânia. As exigências incluem a proibição da entrada da Ucrânia na NATO e um limite para o envio de tropas e armas para o flanco oriental da organização, que faz fronteira com a Rússia.

O projeto de tratado de oito pontos foi divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia enquanto as suas forças se aglomeram a uma distância de ataque das fronteiras da Ucrânia. Moscou disse que ignorar os seus interesses levaria a uma “resposta militar” semelhante à crise dos mísseis cubanos de 1962.

Segundo as agências internacionais, Vladimir Putin exigiu que o Ocidente forneça à Rússia “garantias legais” da sua segurança, mas as propostas do Kremlin provavelmente serão rejeitadas nas capitais ocidentais.

As propostas já foram também entregues aos Estados Unidos esta semana – a mesma semana em que Putin se encontrou com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, para reforçar os laços de entendimento entre os dois países.

As propostas incluem a exigência de que a NATO remova todas as tropas ou armas implantadas nos países que entraram na aliança após 1997, o que incluiria grande parte da Europa Oriental: Polónia e os ex-países soviéticos da Estónia, Lituânia, Letónia e os países dos Balcãs.

A Rússia exige ainda que a NATO descarte novas expansões, incluindo a adesão da Ucrânia à aliança, e que não faça exercícios em áreas que pode ser consideradas sensíveis sem o seu acordo, nomeadamente no Mar Negro, Ucrânia e Europa Oriental, países do Cáucaso como a Geórgia e na Ásia Central.

Vários dos países visados já explicaram que a proposta é inaceitável e alertaram para que a Rússia está a tentar restabelecer uma esfera de influência na região semelhante à que tinha quando existia a União Soviética.

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, já descartou qualquer acordo que negue à Ucrânia o direito de entrar na aliança militar, dizendo que cabe à Ucrânia e aos 30 países da organização decidirem sobre o seu futuro.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, disse que os Estados Unidos ´já iniciaram contactos com os seus aliados europeus tendo em vista uma resposta à Rússia, informou a agência Reuters.

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