Ryanair critica aeroportos por não recrutarem mais funcionários

Depois de cortar milhares de empregos durante a pandemia, o setor de viagens tem lutado para recrutar, treinar e verificar a segurança de novos funcionários com rapidez suficiente para acompanhar a demanda ressurgente.

Um representante da Ryanair criticou, esta segunda-feira, os aeroportos por não recrutarem funcionários suficientes para atender à recuperação dos viajantes, segundo a “BBC”.

“Temos de responsabilizar os ANSPs [provedores de serviços de navegação aérea] e vários governos em relação à falta de pessoal adequado para isso”, disse Neil Sorahan, diretor financeiro da Ryanair, acrescentando que os próprios aeroportos deviam ser responsabilizados porque “tinham apenas um trabalho a fazer, que era garantir que tivessem operadores e pessoal de segurança suficientes”.

“Conseguimos contratar 73 aviões adicionais com bastante antecedência e cabe aos aeroportos melhorar seu planeamento no próximo ano”, destacou Neil Sorahan.

Os comentários ocorrem num momento em que aumenta a escassez de funcionários nos aeroportos levou a grandes interrupções e cancelamentos nos últimos meses.

Depois de cortar milhares de empregos durante a pandemia, o setor de viagens tem lutado para recrutar, treinar e verificar a segurança de novos funcionários com rapidez suficiente para acompanhar a demanda ressurgente. A Ryanair, por exemplo, enfrentou batalhas com sindicatos depois de cortar salários durante a pandemia. A empresa disse ter chegado a acordo com mais de 80% de seus pilotos e cerca de 70% das tripulações de cabine.

Apesar de atualmente enfrentar disputas industriais na França, Bélgica e Espanha sobre salários e condições, a Ryanair sofreu menos interrupções e cancelamentos das principais operadoras europeias nos últimos meses. Nos primeiros seis meses de 2022, a Ryanair cancelou 0,3% dos voos, em comparação com o total de 3,5% da British Airways e 2,8% da EasyJet, segundo a consultoria de viagens aéreas OAG.

Também esta segunda-feira a Ryanair anunciou lucro de 170 milhões de euros no primeiro trimestre, comparado com um prejuízo de 273 milhões de euros no mesmo período de 2021.

Sobre os resultados dirtetor-executivo da Ryanair, Michael O’Leary disse que que a “imprevisibilidade em torno dos preços dos combustíveis, o risco de novas variantes do Covid e a guerra na Ucrânia significavam que a empresa não conseguia prever lucro para o ano fiscal completo”.

“Embora continuemos esperançosos de que a alta taxa de vacinação na Europa permitirá que a indústria aérea e de turismo se recupere totalmente e, finalmente, deixe o Covid para trás, não podemos ignorar o risco de novas variantes do Covid no outono de 2022”, destacou O’Leary.

Recomendadas

PremiumGestores bancários sem tarimba a gerir períodos inflacionários

Estudo sobre o sector bancário europeu feito pela consultora estratégica Oliver Wyman considera que as instituições financeiras podem não estar preparadas para os impactos do aumento da inflação e do abrandamento da economia na atividade.

Alojamento local em expansão no Douro ajuda a diversificar oferta turística

O alojamento local no Douro está em expansão e contribui para a diversificação da oferta turística neste território, existindo atualmente 714 unidades em atividade.

TAP nega acusação do sindicato dos pilotos e diz que gasta menos com alugueres face a 2018 e 2019

O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) acusou, esta quarta-feira, a gestão da TAP de “desperdiçar” as receitas do verão com “milhões de erros” ao longo do ano, como a contratação externa de serviços.
Comentários