Salários reais aumentam na OCDE, mas continuam a cair em Portugal

Os rendimentos reais das famílias portuguesas encolheram mais de 3% no terceiro trimestre, enquanto na OCDE aumentaram pela primeira vez em mais de um ano.

Montadores

Depois de mais de um ano a cair, os rendimentos reais das famílias dos vários países que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) subiram no terceiro trimestre de 2022, mas por cá a tendência descendente manteve-se. De acordo com os dados divulgados esta quarta-feira, Portugal foi mesmo o país onde os salários mais caíram, considerando o impacto da inflação.

No conjunto da OCDE, entre julho e setembro, o rendimento real per capita cresceu 0,2%. “Esta foi a primeira subida do rendimento real das famílias desde o primeiro trimestre de 2021”, destaca a organização, numa nota em que sublinha ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) per capita aumentou 0,3%, no mesmo período.

Mas nem todos os países que compõem a OCDE registaram essa inversão da tendência: enquanto nove viram mesmo os rendimentos reais subir, doze registaram novos recuos dos rendimentos reais.

Entre esses nove, a Áustria destacou-se, com um salto de 10,1% dos rendimentos reais, o que é explicado, avança a OCDE, por mexidas fiscais e pela transferência de apoios criados face à escalada dos preços.

“Das economias do G7 para os quais há dados disponíveis, França, Alemanha e Itália registaram aumentos dos rendimentos reais no terceiro trimestre, com a França a ver a maior subida (0,8%). Contudo, os rendimentos reais das famílias caíram no Canadá e no Reino Unido e estabilizaram nos Estados Unidos”, detalha a nota divulgada esta manhã.

Já entre os tais 12 países que viram os rendimentos reais encolher, Portugal esteve em destaque, com um recuo de 3,01%. Conforme têm mostrado os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), os salários absolutos têm subido por cá, mas não têm conseguido acompanhar a inflação, emagrecendo, portanto, em termos reais.

Assim, a OCDE realça que Portugal é um dos países em que os rendimentos per capita ainda não ultrapassaram os níveis pré-pandemia, a par da República Checa, da Dinamarca, da Finlândia, de Espanha e do Reino Unido. No caso português e espanhol, tal é explicado pela fraca recuperação do rendimento geralmente associado com o trabalho independente, é adiantado.

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