São Tomé e Príncipe. Oposição acusa primeiro-ministro de ordenar tortura a civil

A Ação Democrática Independente (ADI, oposição) acusou membros do gabinete do primeiro-ministro e o próprio chefe do Governo são-tomense de tortura e “agressão bárbara” a um funcionário de uma empresa privada contratada pelo partido para publicidade eleitoral.

São Tomé, São Tomé e Príncipe

Segundo a ADI, o ato aconteceu no final da tarde de sexta-feira, quando “um funcionário do proprietário do painel de publicidade contratado pelo partido “foi barbaramente agredido pelos empregados do gabinete do primeiro-ministro, designadamente os senhores Vasco Guiva (diretor financeiro), Djair Carvalho (diretor de gabinete) e um grupo de seguranças afetos ao próprio primeiro-ministro”.

“Como se tal não bastasse, houve tentativa de vandalismo do painel e das colunas que lá se encontravam, que só não surtiu o efeito devido à revolta popular”, acrescenta o partido, no comunicado assinado pelo seu secretário-geral, Américo Ramos.

O comunicado refere que, “não tendo conseguido alcançar os seus objetivos”, o primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, “ordenou que o proprietário [do painel publicitário] fosse levado à força para as instalações do gabinete do primeiro [ministro] onde durante quatro horas foi submetido a um interrogatório, pervertendo a ordem e a separação das atribuições de cada órgão”.

A ADI refere que além dos membros do gabinete do chefe do governo são-tomense alegadamente envolvidos no alegado ato de agressão, “juntaram-se no gabinete do primeiro-ministro, certamente a seu pedido, a senhora diretora dos Serviços de Migração e Fronteiras, e o comandante da Polícia Nacional”, com propósitos desconhecidos até então, “mas que facilmente se adivinham”.

O maior partido da oposição são-tomense sublinha que “não é competência de seguranças do primeiro-ministro deter qualquer cidadão e muito menos sequestrá-lo e submetê-lo a interrogatórios”, atentando “contra os direitos fundamentais do cidadão”, que considera revelar “um autoritarismo e incapacidade de lidar com a diversidade que constituiu hoje uma das características mais marcantes do atual poder e do primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus”.

“Rogamos a todo o povo de São Tomé e Príncipe, aos militantes, simpatizantes do ADI, bem como a todos os cidadãos de boa-fé, que se mantenham calmos face a essas atrocidades vistas em outros tempos e em outras paragens, próprias de um poder decadente, que não compreendeu que os tempos mudaram e não respondam, de modo algum, às provocações”, continua o comunicado.

A Lusa contactou a assessoria do primeiro-ministro, mas esta remeteu ao diretor de gabinete, também visado na acusação da ADI. Contactado pela Lusa, Djair Carvalho prometeu uma reação para terça-feira.

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