“Se Vieira for derrotado nas eleições de 2016 é uma tremenda injustiça”

A formação e a valorização dos jogadores jovens é a única estratégia que o Benfica tem neste momento. A afirmação é de André Ventura, professor universitário e comentador da CMTV e da BTV.


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A mais recente derrota do Benfica significa que a estratégia do presidente, secundado pelo treinador Vitória, é um fracasso?
Não me parece. Penso, por outro lado, que a estratégia de Luís Filipe Vieira é um projeto de médio/longo prazo. Repare que, nos últimos dois anos, tivemos de lidar com uma realidade completamente nova do ponto de vista financeiro: a proibição dos fundos ligados ao futebol e a instabilidade crónica do sistema bancário português, sobretudo depois do escândalo do BES. Neste sentido, uma gestão responsável não pode pensar apenas em resultados desportivos, tem de pensar também em resultados financeiros. O mesmo é dizer que é preciso reduzir o passivo e colocar os capitais próprios em terreno positivo. Isto apenas se faz com aposta na formação e valorização de jogadores jovens… é a única estratégia possível que o Benfica tem neste momento.

O que está a correr mal então?
É no campo que as coisas podem não estar a correr tão bem. A estratégia de Vieira para o clube é sólida e vai dar frutos muito duradouros no médio prazo. O próprio presidente se referiu a ela como implicando “dores de crescimento”. Mudar de paradigma tem custos no curto prazo, muitas vezes.

O treinador Rui Vitória não consegue o respeito dos atletas. Qual a solucão?
Não tenho a certeza da validade dessa asserção. O que tenho visto e ouvido dos jogadores do SLB é que valorizam e respeitam Rui Vitória enquanto grande profissional e conhecedor do mundo do futebol que é e sempre será. Penso que, neste momento, há ainda dois fatores em desfavor de Vitória: a falta de tempo e a integração na tão falada “estrutura”. Havia uma certa habituação ao estilo de Jorge Jesus. Rui Vitória é mais científico, mais ponderado e tem uma abordagem diferente ao jogo, o que, para ser plenamente interiorizado pelos jogadores, levará o seu tempo. Por outro lado, e aí penso que é notório, falta ainda tempo para que Rui Vitória se sinta à vontade no âmbito das finalidades da estrutura do clube: comunicação, relação com os adeptos, relação com a comunicação social, etc. Há muito trabalho a fazer nestas áreas…

Os atletas continuam a sofrer com a perda de Jesus?
Penso que é um processo ultrapassado no Benfica e que, mais uma vez, importa reiterar e sublinhar do ponto de vista da comunicação. Vou-lhe dizer uma coisa francamente. Se eu fosse treinador do Benfica e me questionassem sobre Jesus, a sua estratégia ou os seus “mind games” eu responderia imediatamente: “Quem??? Esse senhor já passou por aqui há muito tempo. Demos um passo em frente!”.

O que falta ao Benfica? Ambição? Vontade? Disciplina? Ou treinador?
Deixe-me sublinhar primeiro o que tem sido um mérito enorme, nem sempre reconhecido, de Rui Vitória: a transição e integração de jogadores das camadas jovens na equipa principal. Gonçalo Guedes e Nelson Semedo são exemplos disso mesmo. Acho, ao mesmo tempo, que Rui Vitória é um profundo conhecedor das metodologias mais atuais em matéria de futebol profissional. Admito que falte ainda alguma garra e ofensividade à equipa do Benfica, aquele brilho que faz o conjunto lutar até ao último minuto e responder à altura devida a todas as provocações dos adversários.
No ponto atual do campeonato o Benfica pode manter ambições no campeonato?
O Benfica está numa fase particularmente exigente desta primeira metade do ano desportivo. Recebeu o Sporting para o campeonato em casa, foi ao Estádio do Dragão, novamente a Alvalade para a Taça de Portugal e vai no próximo fim-de-semana enfrentar o Sporting de Braga, que está em grande forma, mesmo no plano internacional (lidera neste momento o grupo F da Liga Europa). Perdeu todos estes jogos. Claro que, se perder novamente, a matemática começa a tornar-se mais ínfima a probabilidade de o clube revalidar o título nacional. Mas um clube da dimensão do Benfica nunca desiste, mesmo quando a estatística não é especialmente convidativa…

Quatro derrotas em sete jogos fora. Não acontecia há mais de 20 anos. De quem é a culpa?
Bom, antes de mais é preciso termos consciência de duas asserções, que aliás estão sempre presentes na mente de um jurista: nem sempre a culpa pode ser imputada devidamente a alguém em particular e a história não se repete sempre. Ou, por outras palavras, não se pode ganhar sempre. A mudança de paradigma e a aposta na evolução e desenvolvimento de talentos jovens tem custos no imediato e pode impedir o Benfica de chegar, já este ano, tão longe como gostaria. Claro que mais fácil seria trazer jogadores já feitos e plenamente preparados para jogar numa liga profissional e competitiva como a portuguesa. Claro que seria mais fácil manter tudo como estava e deixar um dia a resolução dos grandes problemas estruturais para outrem. Neste sentido, penso que o plano e o projeto implementados por Luís Filipe Vieira são os corretos. Resta saber se Rui Vitória conseguirá pô-los em prática no terreno de jogo, o que não é tarefa fácil.  Mas gostava, se me permite, de sublinhar este aspeto: mesmo que Vitória venha a revelar alguma incapacidade em levar a cabo esta evolução no Benfica, não quer dizer que não seja um excelente treinador e profissional do futebol. Basta ler o seu livro (“A arte da guerra para treinadores”) para perceber que o é. Simplesmente, por vezes, os clubes estão em fases que necessitam de diferentes estilos de liderança.

Que riscos financeiros corre atualmente a SAD do Benfica?
Sinceramente, quanto a isso, penso que muito poucos. Basta olhar para os últimos relatórios de contas trimestrais apresentados à CMVM para perceber que a consolidação financeira tem operado em dois sentidos: na redução do passivo, que se tem verificado progressivamente, e no aumento da receita derivada quer da venda de jogadores (Enzo, Oblak, etc.), quer da expansão significativa da BTV e de novas parcerias comerciais. Tudo isso corre o risco de ser inutilizado se o Benfica não ganhar competições esta época? Claro que não, senão o FC Porto tinha desaparecido na época passada e o Sporting há muito que não existiria. Para além de tudo isso, é preciso não esquecer que o Benfica está a fazer uma memorável temporada na Champions e isso refletir-se-á num acréscimo significativo de receita face, por exemplo, ao ano passado.

O que é preciso mudar no Benfica? Pode haver mudança de Presidente já nas eleições de 2016?
Bom, deixe-me dividir o meu raciocínio em duas partes distintas. É preciso mudar alguma coisa? Penso que, neste momento, as coisas a mudar devem acontecer no campo e nos balneários. Mais garra e mais espírito ofensivo nos jogos, seja com o Sporting seja com o Arouca. Isso é um trabalho para o qual devemos, para já, continuar a contar com Rui Vitória e, no final da temporada, avaliar ponderadamente a época como um todo.  Quanto às eleições de 2016 deixe-me dizer-lhe uma coisa: se Luís Filipe Vieira se apresentasse para uma reeleição e fosse derrotado seria uma tremenda injustiça. Se há benfiquistas à altura do desafio, não tenho a menor dúvida. Nomes como Rui Gomes da Silva ou mesmo o Rui Costa são permanentemente apontados e, tenho a certeza, dariam excelentes líderes do Benfica.  No entanto, se hoje o Benfica é a marca que é a nível mundial e se conquistou a credibilidade pública que esteve em risco de se perder para sempre com Vale e Azevedo, a Luís Filipe Vieira o deve. E não pode nunca esquecer o que se passou durante os últimos anos do último século, para evitar que novos populismos venham ao de cimo em momentos de crise e deitem por água tudo o que, com imenso esforço, foi feito ao longo dos últimos 11 anos.

Por Vítor Norinha/OJE

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