Seca no rio Reno põe em risco transporte de mercadorias

Os patrões alemães consideram que o governo federal, juntamente com os vários estados federados, o sector da logística e as empresas industriais, “deve estabelecer um sistema de monitorização próximo para reagir prontamente” ao baixo nível das águas.

Há fábricas na Alemanha que poderão ter que cortar a produção ou até mesmo suspendê-la devido ao baixo nível de água do rio Reno, uma das vias fluviais mais importantes da Europa. O alerta foi dado esta terça-feira pela Confederação da Indústria Alemã (BDI – Bundesverband der Deutschen Industrie), que está preocupada com a seca neste curso de água ligado ao Danúbio e noutros que atravessam o país.

“A seca persistente e o baixo nível dos rios ameaçam a segurança do abastecimento do sector. As empresas preparam-se para o pior. A situação económica já tensa está a tornar-se mais grave”, advertiu a BDI, num comunicado dedicado à crise hídrica, assinado pelo vice-secretário-geral da instituição, Holger Lösch.

Os patrões alemães consideram que o governo federal, juntamente com os vários estados federados, o sector da logística e as empresas industriais, “deve estabelecer um sistema de monitorização próximo para reagir prontamente aos iminentes efeitos de gargalo de garrafa nas hidrovias”, comparando o caso à situação demográfica em que uma espécie morre ou é impedida de se reproduzir.

Ontem, em Emmerich, no oeste da Alemanha, registou-se um nível de água de apenas quatro centímetros, o mais baixo desde os sete centímetros contabilizados no final de 2018.

Para a homóloga da CIP, é apenas “uma questão de tempo até que as fábricas químicas ou siderúrgicas tenham que ser encerradas, óleos minerais e materiais de construção não cheguem ao seu destino ou alguns transportes de mercadorias pesadas não possam ser realizados”.

Segundo os economistas contactados pelo jornal espanhol “El País”, como o economista-chefe do Deutsche Bank, Stefan Schneider, os problemas no rio Reno tornam ainda mais provável um cenário de recessão na Alemanha, a maior economia da Europa.

Em Berlim, o problema não está a ser ignorado. O ministro dos Transportes da Alemanha defendeu ontem o reforço das infraestruturas e a implementação de projetos como os que existem para aprofundar o leito do Reno em determinados pontos problemáticos para a navegação. “Temos de considerar que a longo prazo, devido às mudanças climáticas, enfrentaremos repetidamente situações de níveis de água extremamente baixos”, afirmou Volker Wissing, em declarações ao “Rheinische Post”.

O rio Reno nasce de um glaciar nos Alpes Suíços, a 200 quilómetros da nascente do rio Ródano, e desagua no mar do Norte, junto à cidade neerlandesa de Roterdão, após percorrer mais de 1.200 quilómetros. O rio é navegável em 883 quilómetros e percorre zonas industriais suíças e alemãs.

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