Secil: Da cimenteira de Pataias até aos gelados da Santini

Secil já produz microalgas com ‘food grade’ exigido por Bruxelas para a alimentação humana, mas a alimentação animal e a cosmética também são clientes.

O que une a fábrica de cimento da Secil em Pataias, a sua recém-inaugurada unidade de biotecnologia e os gelados Santini? A resposta é as microalgas. Expliquemos: as microalgas produzidas pela unidade-piloto da Secil já estão a ser utilizadas no fabrico dos gelados artesanais da famosa marca de gelados, com recurso a uma das suas variedades, a “chlorella vulgaris”, como nos confidenciou o CEO da Secil, Gonçalo Salazar Leite.

A ‘chlorella vulgaris’ é uma das poucas espécies de microalgas que se encontram aprovadas pela Comissão Europeia como ingrediente e suplemento alimentar. Além da ‘chlorella vulgaris’, a nova unidade de microalgas da Secil em Pataias produz também a ‘nannochloropsis sp., que é um dos géneros mais utilizados para aplicações em aquacultura, pela sua composição rica em ácidos gordos essenciais e pelos restantes nutrientes, naturalmente biodisponíveis. É também uma das microalgas mais promissoras com fonte de EPA, um dos Omega 3 mais valorizados no mercado dos suplementos dietéticos, principalmente para os consumidores vegetarianos.

Refira-se que estas duas microalgas produzidas pela nova unidade da Secil, em Pataias, direcionam-se para os mercados da alimentação humana e da alimentação animal, sendo produzidas exclusivamente com CO2 adequado para fins alimentares, ou seja, com o ‘food grade’ exigido pelas autoridades de Bruxelas.

“O nosso primeiro objetivo é a captura de CO2 emitido na nossa unidade de produção de cimento. Em segundo lugar, pretendemos e estamos a vender os produtos derivados dessa produção, quer em Portugal, quer nos mercados estrangeiros. Por exemplo, os gelados da Santini estão a comprar-nos a ‘chlorella’”, revelou Gonçalo Salazar Leite, em declarações ao Jornal Económico. O mesmo responsável sublinha que “este foi um projeto que nasceu como complementar à nossa atividade principal, que é a produção de cimento e é um excelente exemplo da aplicação da economia circular à indústria cimenteira”.

“As microalgas têm aplicações diversificadas e um potencial enorme, produzindo-se matérias-primas orgânicas. Tanto podem ser usadas para a alimentação animal e para a alimentação humana, em suplementos alimentares e complementos nutricionais, assim como na indústria cosmética”, defende o CEO da Secil.
Produção e comercialização de microalgas serão conduzidas pela Allmicroalgae, participada da Secil.

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