Secretário-geral da NATO diz que alargamento tem sido um “sucesso histórico”

O secretário-geral da NATO defendeu hoje que o alargamento da aliança atlântica tem sido “um sucesso histórico”, após falar com os chefes da diplomacia da Suécia e da Finlândia, países que se preparam para pedir adesão à organização.

“Falei com o Presidente [da Finlândia, Sauli] Niisto, e com os ministros dos Negócios Estrangeiros [finlandês, Pekka] Havisto, e [sueca] Ann Linde, antes da nossa reunião ministerial em Berlim”, escreveu Jens Stoltenberg na sua conta na rede social Twitter. “A Finlândia e a Suécia são os nossos parceiros mais próximos e discutimos desenvolvimentos sobre as suas possíveis candidaturas à adesão. O alargamento da NATO tem sido um sucesso histórico”, concluiu.

Numa mensagem anterior, o secretário-geral da NATO disse ter também falado por telefone com os chefes da diplomacia do Canadá, Itália e Estados Unidos, além da Turquia, único Estado-membro que se manifestou contrário à adesão da Suécia e da Finlândia à aliança atlântica.

Nessas conversas foram abordados o apoio à Ucrânia, a “parceria próxima” da NATO com a Suécia e a Finlândia, e os preparativos para a próxima cimeira da organização.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO reúnem-se entre hoje e domingo em Berlim para coordenar a resposta à guerra na Ucrânia, quando se discute a adesão da Finlândia e da Suécia à Aliança.

Nesta reunião informal na capital alemã, presidida pelo vice-secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), o romeno Mircea Geoana, Portugal está representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, que na sexta-feira esteve em Helsínquia para se reunir com o seu homólogo finlandês, Pekka Haavisto, para debater a adesão da Finlândia à NATO.

Na sexta-feira, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, considerou “um erro” a entrada dos dois países na NATO, acusando a Suécia e a Finlândia de “albergarem terroristas do PKK”, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, considerado organização terrorista por Ancara, mas também pela União Europeia e pelos Estados Unidos. Foi a primeira voz dissonante no seio dos 30 aliados a propósito desta matéria. A entrada de um novo Estado-membro na NATO requer unanimidade, o que significa que a Turquia poderá bloquear a adesão dos dois países escandinavos, cuja candidatura deverá ser formalizada nos próximos dias.

Na sequência da guerra na Ucrânia, a Finlândia e a Suécia iniciaram um debate sobre a adesão à NATO, que, a concretizar-se, significará o abandono da histórica posição de não-alinhamento dos dois países. A Rússia avisou a Finlândia de que será forçada a tomar medidas de retaliação, “tanto técnico-militares como outras”, se o país aderir à NATO.

A Rússia partilha 1.340 quilómetros de fronteira terrestre com a Finlândia e uma fronteira marítima com a Suécia.

Antes da invasão da Ucrânia, a Rússia exigiu à NATO a proibição da entrada do país vizinho na organização e o recuo de tropas e armamento dos aliados para as posições de 1997, antes do alargamento a leste.

Relacionadas

Presidente finlandês fala ao telefone com Putin sobre candidatura da Finlândia a NATO

Assim que Helsínquia anunciou os seus planos de adesão à NATO, Moscovo alertou que adotaria medidas “técnico-militares”, já que esta decisão ameaça a segurança do país

Putin diz que o fim da neutralidade militar finlandesa seria um “erro”

“Tal mudança na orientação política do país pode ter um impacto negativo nas relações russo-finlandesas, que se desenvolveram há anos no espírito de boa vizinhança e cooperação entre parceiros, sendo mutuamente benéficas”, referiu comunicado do Kremlin.

Finlândia. Partido da primeira-ministra diz sim à NATO

O partido social-democrata da primeiro-ministra finlandesa, Sanna Marin, anunciou hoje o apoio por larga maioria à candidatura do país nórdico à NATO, que deve ser formalizada no domingo.
Recomendadas

Ginasta russo banido por um ano por usar símbolo pró-Putin em competição ganha pela Ucrânia

Ivan Kuliakd deve também devolver a medalha e reembolsar o prémio em dinheiro de 500 francos suíços (cerca de 477 euros) e pagar uma contribuição dos custos do processo no valor de 2.000 francos suíços (1908 euros). O russo pode pedir o recurso nos próximos 21 dias.

Human Rights Watch denuncia tortura e execuções de civis pelas forças russas

A organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW) denunciou hoje execuções sumárias, torturas e outros abusos graves cometidos sobre civis pelas forças russas que controlam grande parte das regiões ucranianas de Kiev e Chernihiv.

‘Coronel Putin’: presidente russo está a comandar invasão militar da Ucrânia

As fontes adiantam que Putin ainda trabalha em estreita colaboração com o general Valery Gerasimov, comandante das Forças Armadas russas.
Comentários