Secretário regional da Agricultura chama viticultores de ‘canalhas’, viticultores pedem demissão do governante

O governante garantiu que os montantes devidos pelas colheitas vão ser pagas até ao final de dezembro.

O secretário regional da Agricultura e Pescas, Humberto Vasconcelos, acusou ontem, em declarações à RTP-Madeira, que “há pessoas que são canalhas, que não são viticultores, não têm vinha, nem conhecem o setor”, em reacção a um comunicado dos Viticultores Unidos da Madeira.

Este comunicado dos Viticultores Unidos da Madeira denunciava que os viticultores ainda estavam à espera dos pagamentos devidos pelas suas colheitas.

O governante garantiu ontem que esses montantes vão ser pagos, aos viticultores que entregaram as faturas no Instituto do Vinho, Bordado e Artesanato da Madeira (IVBAM), até ao final do mês de dezembro esclarecendo que este é o primeiro ano em que o Governo Regional vai pagar no próprio ano todo o valor relativo às colheitas.

Humberto Vasconcelos afirmou que não se pode aceitar “que um conjunto de pessoas que não são viticultores e que por questões partidárias venham, em comunicados anónimos, denunciar falsidades”.

Esta declarações do governante já provocaram uma reacção por parte dos Viticultores Unidos da Madeira. Em comunicado dizem que “a classe política que governa a Madeira acha que pelo facto da maioria dos viticultores não serem doutores que todos somos burros mas não somos burros e já estamos fartos disto”.

O comunicado refere que os viticultores passaram o Natal com os bolsos vazios enquanto os “senhores secretários e o senhor presidente do Governo e todos os membros do governo e deputados da Assembleia Regional da Madeira receberam neste mês de dezembro nas suas contas bancárias, a 18 de Dezembro, quantias que chegam aos 10.000 Euros, portanto, tiveram umas festas felizes”.

Os Viticultores Unidos da Madeira sugerem à Secretaria Regional que inicie em janeiro de 2018 reuniões com todas as casas de vinho para se encontrar “uma solução” para escoar as uvas da colheita.

Entre as soluções avançadas pelos viticultores está a criação de “uma cooperativa vitivinícola regional para engarrafar um vinho de mesa para ser consumido nos restaurantes” em vez de “se andar todos a consumir vinho feito a martelo do continente ou exportar a uva espremida para molhos como já foi feito no passado”.

O comunicado realça que se o atual secretário regional da Agricultura e Pescas “não tem vontade de trabalhar e de nos respeitar” que “seja substituído por outra pessoa capaz de resolver o nosso problema” porque “não aguentamos mais esta situação”.

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