Metalurgia e metalomecânica. Sector deve fechar o ano com exportações a rondar 22 mil milhões

Com as vendas no exterior a registarem um crescimento de 16% até outubro, este ano deverá ser de um novo recorde de exportações na metalurgia e metalomec|ania. Mas 2023 é previsivelmente imprevisível.

O sector nacional da metalurgia e metalomecânica deverá encerrar o ano com as exportações a rondarem os 22 mil milhões de euros, ultrapassando assim os valores registados no ano anterior, de 19,8 mil milhões, disse ao JE Rafael Campos Pereira, vice-presidente executivo da associação do sector, a AIMMAP. “Até ao final de setembro, os últimos dados disponíveis, o crescimento face ao ano anterior é de 16%”, pelo que 2022 registará um novo recorde – batendo o melhor ano de sempre até agora, precisamente o de 2021.

Para Rafael Campos Pereira, o crescimento das vendas no exterior – que suportam mais de 66% da produção total da metalurgia e metalomecânica – deu-se principalmente nos mercados europeus, com mais 18% que no ano anterior, mas com os mercados fora da Europa a conhecerem também um forte incremento da procura, de mais 10%.

Para o vice-presidente da AIMMAP, merece destaque o caso dos Estados Unidos – que no ano em curso conheceu um crescimento da ordem dos 70%, “estando agora no quinto lugar em termos do volume dos principais mercados internacionais”. Um crescimento importante, num quadro em que o mercado tem uma forte apetência pelos materiais do sector.

Espanha, Alemanha, França e Reino Unido continuam a ser, por esta ordem, os principais mercados das exportações nacionais de produtos metalúrgicos e metalo-mecânicos.

Dificuldades na frente interna
Para Campos Pereira, é preciso evidenciar que “nem tudo são boas notícias”. Desde logo na frente interna, onde as vendas estão numa fase menos positiva que no exterior. Mas também ao nível de alguns sub-sectores: “a construção e os produtos para a casa estão mais aflitos” em termos da procura – o que fica a dever-se aos fatores exógenos que condicionam toda a atividade económica: aumento do custo das matérias-primas e das energias, e a inflação.

Neste contexto, Rafael Campos Pereira disse que espera que a Europa faça qualquer coisa. Nomeadamente que possa acordar a não -tributação da importação de matérias-primas para o interior do espaço comum, forma privilegiada de induzir alguma esperança no que tem a ver com o negócio no próximo ano.

“Para 2023, a única coisa previsível é a imprevisibilidade”, referiu o também presidente da CIP. De qualquer modo, há alguns fatores que merecem ser levados em consideração por serem capazes de afastar as nuvens mais densas que se formaram no horizonte. “Esperamos que se confirme a descida do preço das energias, nomeadamente do preço do gás – até parece que já há excesso de oferta no mercado – e também das matérias-primas”, afirmou.

Portanto, para 2023, “há alguma inquietação”, mas as previsões apontam para a possibilidade de o ano vir a ser menos mau que o que se antecipava há algum tempo. As empresas mais afetadas deverão ser mais uma vez as que trabalham prioritariamente para o mercado interno, onde a inflação continuará a ditar as suas regras.

A proposta é, por isso – como é para toda a fileira industrial – a de encontrar alternativas nos mercados externos, sendo certo que a concorrência está cada vez mais viva: os países de onde as matérias-primas são originárias têm uma vantagem competitiva que não é fácil de ultrapassar – mas se houver uma aposta comum, como Rafael Campos Pereira deixou claro, o final de 2023 pode não ser trágico.

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