SEF. Sindicato critica escolha de Cabrita para diretor e rejeita “deriva militarista”

Eduardo Cabrita escolheu um militar para ocupar o cargo de diretor do SEF, depois da saída da civil Cristina Gatões devido ao caso da morte do cidadão ucraniano no aeroporto de Lisboa. O sindicato do SEF deixa fortes críticas à escolha do ministro da Administração Interna para o cargo. “Colocar um militar à frente do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras é um péssimo sinal político”.

Cristina Bernardo

O Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras – SCIF/SEF deixou fortes críticas à escolha do Governo para o novo diretor do SEF.

A estrutura considera que a escolha de um militar para o cargo é um “péssimo sinal político” e uma “fuga para a frente” do Governo, nove meses depois da morte do cidadão ucraniano Ihor Homeniuk no aeroporto de Lisboa. O Ministério Público acusou três inspetores do crime de homicídio, que aguardam agora julgamento em prisão domiciliária.

O sindicato pede mesmo ao Parlamento, partidos e deputados para defenderem o SEF enquanto “serviço de segurança e polícia integral de imigração civilista e humanista”.

“Uma deriva militarista não é solução para o SEF: nem serve a segurança de Portugal e do espaço europeu, nem combate a criminalidade transnacional, nem protege as vítimas do tráfico de seres humanos”, disse em comunicado Acácio Pereira, presidente do SCIF-SEF.

“Colocar um militar à frente do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras é um péssimo sinal político. É estragar e negar mais de 30 anos do mais civilista serviço de segurança e polícia de imigração de Portugal”, afirmou.

O tenente-general Botelho Miguel foi escolhido para suceder a Cristina Gatões, que se demitiu este mês, na sequência da morte de Ihor Homeniuk. Botelho Miguel excerceu diferentes cargos de comando entre 2010 e 2020 na Guarda Nacional Republicana. Desde julho, deixou de ter funções enquanto Comandante-Geral.

O sindicato considera que o SEF “precisa de ser reestruturado e de ser tratado como o serviço civilista e humanista que é. Nas fugas para frente, em que o objetivo é meramente desviar o foco político, quase tudo se destrói e pouco se aproveita”.

O ministro da Administração Interna congratulou-se hoje com a sua escolha para novo diretor nacional do SEF. “É um cidadão, hoje general na reforma, que tem um prestígio indiscutível e que por isso, tal como demonstra o seu percurso de vida e profissional, assim como as funções que desempenhou no Ministério da Administração Interna, tem as condições ideais que eu e o senhor primeiro-ministro entendemos necessárias para cumprir o programa do Governo”, disse hoje Eduardo Cabrita.

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Botelho Miguel é o novo diretor nacional do SEF

O tenente-general Botelho Miguel exerceu vários cargos de comando entre 2010 e 2020 na Guarda Nacional Republicana, tendo cessado funções como Comandante-Geral em julho. Substitui no cargo Cristina Gatões que se demitiu devido à morte do cidadão ucraniano em março no aeroporto de Lisboa.
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