Seguro automóvel: condutores do interior do país pagam menos

Podendo atingir uma disparidade de quase 200 euros no custo anual deste seguro, é nos distritos de Lisboa e Porto que se registam os prémios mais elevados, enquanto as regiões do interior apresentam custos significativamente mais reduzidos face ao litoral.

Para apurar quais as diferenças no prémio do seguro automóvel de danos próprios em função do distrito de circulação, a plataforma gratuita de comparação de produtos financeiros ComparaJá.pt analisou, em exclusivo para o Jornal Económico, a oferta de sete seguradoras.

Segundo os dados mais recentes da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), a produção de seguro automóvel em Portugal em 2016 teve uma taxa de crescimento de 3,5% em relação a 2015, o que “demonstra bem o paralelismo com a evolução do parque automóvel no país, que aumentou 2,6% de 2014 para 2015, de acordo com a mesma entidade”, refere Sérgio Pereira, diretor geral do ComparaJá.pt, acrescentando que “grande parte deste aumento decorre também dos aumentos tarifários infligidos pelas seguradoras nas suas carteiras”.

Distritos do interior com prémios anuais mais competitivos
Nesta análise, foram comparadas as ofertas de Seguro Automóvel na vertente de Danos Próprios – opção standard mais completa apresentada pelos simuladores das seguradoras – de acordo com o perfil do José, um professor de 33 anos que tem carta desde 2004 e que não tem registado qualquer acidente. O veículo a segurar é o Renault Clio, o carro mais vendido em Portugal em 2016, modelo que este jovem acaba de comprar na sua versão 1.5 DCI GT LINE.

De forma a ilustrar os agravamentos no prémio de acordo com a zona de circulação foram analisadas as ofertas de sete seguradoras –  OK! Teleseguros, N Seguros, Logo, Direct, Caravela, Fidelidade, Mapfre – em oito distritos – Porto, Bragança, Coimbra, Castelo Branco, Lisboa, Évora, Faro – com o intuito de representar as diferenças entre as regiões Norte, Centro e Sul do nosso país, bem como entre distritos do interior e do litoral.

De entre as principais conclusões, destaca-se a tendência, entre todas as seguradoras escrutinadas, para praticarem preços mais competitivos nos distritos do interior do país. E é em Bragança que se regista o prémio médio anual mais baixo (317 euros) entre as regiões escrutinadas. Opostamente, entre os distritos cujos prémios anuais são mais elevados podem encontrar-se Porto e Lisboa. Nestas regiões, o José teria desembolsar uma média de 398 e 381 euros, respetivamente.

“A densidade do parque automóvel e a correspondente exposição ao risco e sinistralidade é claramente um dos fatores que sugere o agravamento dos prémios de seguro automóvel, existindo uma visível tendência para que este fator se agudize à medida que caminhamos do interior para o litoral no mapa”, explica o responsável do ComparaJá.pt.
“O facto de os prémios anuais serem, em média, mais elevados no distrito do Porto quando comparados com todos os outros distritos, leva-nos a inferir que a experiência das seguradoras é comum neste distrito, independentemente da sua representatividade”, reforça ainda.

Oferta: mais coberturas, maior valor de prémio anual a pagar
Quando analisadas as coberturas dos seguros de Danos Próprios para o Renault Clio do José é possível, desde logo, notar que todas possuem o mesmo capital disponível para responsabilidade civil (o mínimo obrigatório por lei) e que, à exceção da Fidelidade, todas incluem assistência em viagem base (que engloba auxílio em caso de avaria ou sinistro que provoque a imobilização da viatura, permitindo o transporte da mesma, bagagens e ocupantes).

Já a cobertura de choque, colisão ou capotamento – que assegura a indemnização dos danos sofridos pelo veículo em consequência de embate contra corpo fixo (choque), em movimento (colisão) ou se a viatura perder a sua posição normal não resultando de choque ou colisão (capotamento) – só não é garantida pelas soluções da Caravela.

Não são igualmente muitas as seguradoras que cobrem fenómenos da Natureza – apenas a OK Teleseguros!, a Fidelidade e a Mapfre o fazem (a primeira com uma franquia de 125 euros e as restantes sem). Somente a Mapfre e a Fidelidade cobrem atos de vandalismo, fator que ajuda a explicar o prémio anual mais elevado face à concorrência.

“É difícil ter o melhor de dois mundos. Geralmente, o acréscimo de coberturas disponibilizadas faz-se acompanhar de um aumento do prémio final a pagar. Cabe ao consumidor perceber quais são as suas necessidades específicas e se está disposto a pagar para estar mais protegido”, sublinha o fundador do ComparaJá.pt.

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