Sem IA empresas não vão cumprir objetivos e correm o risco de falir

Empresas devem acelerar as estratégias de adoção de IA para evitar falhar objetivos e falir dentro de cinco anos. As conclusões são de um estudo da Accenture. Falhar é inevitável, diz Hugo Balseiro, e o segredo é “pensar em grande, começar com pouco, e escalar rápido”.

Margarida Grossinho

As empresas devem implementar e escalar tecnologias de Inteligência Artificial (IA) o quanto antes ou correm o risco de não cumprir objetivos, ou pior, de falir nos próximos cinco anos. O aviso foi dado pelo líder de Dados e IA da Accenture Portugal, Hugo Balseiro, na conferência “O Futuro da Inteligência Artificial na Experiência do Consumidor”, organizada pelo Jornal Económico, pela Accenture e pela Talkdesk.

Numa nota de abertura dada na manhã desta quinta-feira, no Pestana Palace Hotel, em Lisboa, o responsável pela área de dados e IA da Accenture fez um ponto de situação sobre a capacidade das organizações de escalar as estratégias de IA, e deixou alguns pontos de reflexão que considera essenciais.

“Nos últimos anos assistimos a uma digitalização acelerada”, diz, que tem promovido um conjunto de iniciativas que nos obrigam a perguntar: “O que está na génese desta IA, ou destes modelos de analítica avançada?”. Balseiro refere que apesar da existência de imensas tecnologias emergentes, entre o extremo da computação quântica e as análises preditivas, “há uma curva”.

“Nessa curva, há muitas técnicas que estão de facto a consolidar-se. Na nossa opinião, os líderes de Data, IA e Analytics deviam usar esta ferramenta para tomar decisões hoje”, avisa ainda Hugo Balseiro.

Um estudo global recentemente conduzido pela Accenture, com uma amostra que Balseiro classifica como “bastante abrangente”, apresenta conclusões quanto à perceção dos executivos C-level sobre a maturidade dos projetos de IA dentro das suas organizações. As conclusões, explica o especialista, dão que pensar.

Segundo Balseiro, a nível global cerca de 84% dos executivos dizem que não vão alcançar os seus objetivos se não escalarem a Inteligência Artificial dentro da organização. A nível ibérico, são 70% dos executivos. Além deste dado, o responsável revela ainda que, sem a IA, 75% dos executivos acreditam correr o risco de falir nos próximos cinco anos (69% a nível ibérico).

A quase totalidade (76%) destes executivos admitem “já ter a capacidade de produzir alguns pilotos, mas não têm uma clara estratégia” para conseguir escalar esses projetos dentro das organizações. Hugo Balseiro falou ainda da necessidade de fazer provas de conceito e de encarar o falhanço como um passo incontornável na adoção da IA.

“Há uma baixa taxa de sucesso naquilo que pode ser o caminho, nestas provas de conceito. A maior parte das organizações ainda está neste estágio”, explica, recordando que “também são organizações que têm um conjunto de esforços nesse sentido, com equipas muito reduzidas, por vezes isoladas, tipicamente lideradas pelo IT”. Este, diz, é o retrato geral que se pinta das organizações.

O responsável da Accenture revelou ainda que 85% dos executivos C-level “entendem como crítica a adoção de uma capacidade científica dentro das organizações, para terem capacidade para continuar a desenvolver a estratégia e a jornada de adoção da IA”. Para terem sucesso nessa jornada, Balseiro revela alguns pontos essenciais, que passam por implementar uma “cultura orientada a dados, que tem de vir de cima para baixo e que tem de estar na agenda” das administrações. O mote, diz, é “think big, start small e scale fast”.

“São temas que estão a amadurecer aos poucos, ainda existe uma incerteza daquilo que se pode e retira de facto de alguns modelos. O objetivo é que esse investimento seja controlado. Faz sentido ter capacidade de escalar e o segredo é experimentar e falhar rápido”, remata.

Acompanhe ou reveja a conferência “O futuro da IA na experiência do cliente” na JE TV, aqui.

Futuro da Inteligência Artificial na Experiência do Cliente. Veja em direto a conferência do Jornal Económico, Accenture e Talkdesk

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