Sem maioria e com um Parlamento suspenso. E agora May?

A poucas horas de serem conhecidos os resultados oficiais das eleições gerais britânicas, começam a chegar as primeiras reações aos resultados, que embora deem vitória a Theresa May, não lhe conferem a maioria que desejava e deixam o parlamento suspenso.

Parliament TV handout via REUTERS

As últimas projeções apontam para uma vitória da líder conservadora, Theresa May, com mais de 315 dos 650 lugares em eleição no Parlamento. Numa altura em que faltam apenas apurar quem irá preencher os últimos quatro lugares na câmara baixa do Parlamento, começam a chegar as primeiras reações aos resultados, que embora deem vitória a Theresa May, não lhe conferem a maioria que desejava e deixam o parlamento suspenso.

Da União Europeia chega o aviso de que independentemente de quem ganhe estas eleições, as negociações da saída do país do bloco europeu estão para se manter e devem avançar o mais rapidamente possível.

“Precisamos começar a fazer as negociações o mais rapidamente possível. O tempo está a correr”, afirma o porta-voz da chanceler da Alemanha, Angela Merkel. “Independentemente da questão de quem vai formar um governo no Reino Unido, o tempo está a passar. Temos menos de dois anos para negociar a saída. Não deveríamos perder tempo agora”, acrescenta.

A opinião é partilhada pelo primeiro-minitro francês, Edouard Philippe, que indica que as discussões do Brexit não vão ser simples. “Vão demorar muito e vão ser complexas”, explica, reiterando que não acredita que estes resultados “venham contrariar a posição expressa pelos britânicos no referendo [de 23 de junho]”.

“O resultado destas eleições terá impacto, sem dúvida, no espírito das negociações formais do Brexit, mas não põe em causa o início da negociação em si”, afirmou o comissário europeu dos Assuntos Económicos da União Europeia, Pierre Moscovici. “O calendário [do Brexit] não é opcional”.

Já em Londres, Ed Miliband, antigo líder trabalhista, escreve na sua conta oficial no Twitter que com estes resultados Theresa May perdeu autoridade como primeira-ministra e perdeu a legitimidade de negociar o “Brexit”. Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, defende que a líder conservadora se deve demitir e garante que o “Partido Trabalhista está pronto para servir o país”.

Os trabalhistas de Jeremy Corbyn conseguem até ao momento 261 assentos parlamentares, os Lib-Dem, liderados por Tim Farron, conquistam 12 ao passo que o SNP, de Nicola Sturgeon, arrecada 35.

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