“Sem migrantes, as sociedades europeias não serão sustentáveis”

António Guterres esteve ontem no Vision Europe Summit e expôs as suas posições em relação aos temas mais polémicos da atualidade.

Denis Balibouse/Reuters

Durante o Vision Europe Summit, que decorreu ontem na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, o ex-Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados sublinhou mais uma vez o tema dos refugiados, defendendo que é fundamental “restabelecer a integridade do sistema internacional de proteção” de refugiados, incluindo uma gestão de fronteiras “sensível às necessidades das pessoas”, segundo divulga a agência Lusa.

O próximo secretário-geral das Nações Unidas admitiu não estar “particularmente otimista com o atual cenário internacional”, em matéria concertante aos refugiados e migrações, mas acredita que, enquanto alguns veem as migrações como “o problema” de hoje, outros sabem que são “uma solução”.

“Sem migrantes, as sociedades europeias não serão sustentáveis”, avisou, acrescentando que as migrações “estão cá e estão para ficar”, referindo “a falta de capacidade dos governos em gerir” este “fenómeno inevitável”, apelando que se adotem “respostas globais ou, pelo menos, regionais”.

“A melhor atitude é tentar gerir as migrações e o problema é que, até agora, não houve um esforço concertado para o fazer”, criticou.

Em relação aos refugiados, António Guterres sustentou que, desde 2015 que se presencia “uma dramática deterioração do sistema de proteção” e prevalência da “agenda da soberania nacional” sobre “a agenda dos direitos humanos”.

“A comunidade internacional fracassou” na proteção dos sírios e nenhum país conseguirá resolver sozinho o desafio das migrações, devendo os grupos regionais, como a Europa, “assumir coletivamente as suas responsabilidades”.

“As políticas de cooperação para o desenvolvimento têm de ter em conta o impacto na mobilidade humana e têm-no ignorado”, é assim imprescindível criar mais oportunidades para as pessoas ficarem nas suas comunidades, “as migrações resultarão de vontade e não de necessidade, de esperança e não de desespero”, distinguiu o próximo líder das Nações Unidas.

Questionado sobre os recentes resultados de eleições e referendos, o político reconheceu a “grave deterioração nas opiniões públicas do mundo” sobre as migrações. “Os refugiados transformaram-se numa ameaça”, lamentou, no entanto “não é sensato ignorar” a sensação “de medo”.

“Não seremos eficazes se não formos capazes, líderes políticos, organizações internacionais, sociedade civil, de dar respostas concretas aos sentimentos” de comunidades e populações, frisou.

As migrações “são inevitáveis” e a consequência são sociedades inevitavelmente, “multiétnicas, multirreligiosas e multiculturais”.

É necessário firmar um “sentimento de pertença”, o que implica um “forte investimento”, político, económico, social, cultural, de Estados, autarquias, sociedades civis.

“Se não investirmos na diversidade, seremos surpreendidos por mais dos que certos resultados eleitorais, pois os valores que temos e a segurança global serão postos em causa”, alertou.

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