Sem surpresas: Fed mantém taxas mas inicia redução do balanço em outubro

Reserva Federal norte-americana decidiu manter o intervalo da taxa diretora entre 1% e 1,25%. Programa de redução de balanço tem início no próximo mês.

Reuters

A Reserva Federal norte-americana decidiu manter a taxa de juro de referência inalterada, mas anunciou, esta quarta-feira, no final da reunião de dois dias, que o programa de redução do balanço terá início em outubro, em linha com as projeções dos analistas.

“Em outubro, o Comité iniciará o programa de normalização do balanço”, salienta a Fed em comunicado. 

Como o Jornal Económico explicava na antevisão às conclusões da reunião do banco central, a folha de balanços da Fed consiste em ativos e passivos.  No pico da crise em 2008, para evitar um colapso do sistema financeira o banco central começou a comprar ativos norte-americanos (obrigações e outros ativos suportados por crédito imobiliário). O processo prolongou-se até ao final de 2014, quando Yellen o deu por terminado, com a folha de ativos nos 4,5 biliões de dólares.

Com a economia em franca recuperação e no contexto da normalização da política monetária, na última reunião os membros do Comité Federal do Mercado Aberto (FOMC), já tinham sinalizado que poderiam anunciar o início do programa de redução do balanço na reunião de setembro, após alguns membros se terem mostrado disponíveis para fazê-lo na reunião de dia 25 e 26 de julho.

O programa de redução prevê reduzir o valor até de seis mil milhões de dólares em títulos do tesouro e de quatro mil milhões de dólares em títulos hipotecários, entre outubro e dezembro.

O ritmo de imposição de limites irá aumentar trimestralmente: entre janeiro e maio de 2018, prevê 12 mil milhões de dólares em obrigações do tesouro e oito mil milhões em títulos hipotecários. No segundo trimestre de 2018, 18 mil milhões de euros e 12 mil milhões de euros, respetivamente. Entre julho e setembro prevê um limite de 24 mil milhões de euros e 16 mil milhões de euros, enquanto em outubro 30 mil milhões de euros e 20 mil milhões de euros, em obrigações do tesouro e em títulos hipotecários, respetivamente.

A Fed decidiu manter o intervalo da taxa diretora entre 1% e 1,25%. Ainda que a inflação tenha acelerado para 1,9% em agosto, face aos 1,7% de julho, – mais próximo da meta de 2% – não foi suficiente para que o banco central avançasse para o terceiro aumento da taxa diretora, este ano. Mas deixa a porta aberta a uma nova subida no último trimestre do ano.

“O mercado de trabalho continuou a fortalecer-se e a atividade económica tem vindo a aumentar moderadamente até agora, este ano”, frisa, sinalizando estabilidade no mercado laboral e nos rendimentos das famílias. “O Comité continua a esperar que, com ajustes na orientação da política monetária, a atividade económica se expandirá a um ritmo moderado e as condições do mercado de trabalho irão fortalecer-se mais”, acrescenta.

A Fed reconhece, ainda, o impacto negativo das catástrofes naturais Harvey, Irma e Maria, no entanto, salienta que acontecimentos anteriores semelhantes, permitem antecipar que o impacto no rumo da economia será diminuto.

A instituição liderada por Janet Yellen explica, também, que a política monetária irá permanecer acomodatícia, com o obejtivo de reforçar o mercado laboral e um “retorno sustentado a 2% da inflação”.

“O Comité espera que as condições económicas evoluam de forma a garantir aumentos graduais na taxa de fundos federais; é provável que a taxa dos fundos federais permaneça durante algum tempo, abaixo dos níveis que se prevê prevalecerão no longo prazo”, realça, acrescentando que “no entanto, o caminho real da taxa de fundos federais dependerá das perspectivas económicas como informado pelos dados recebidos”. 

As novas projeções económicas divulgadas após a reunião mostraram que 11 dos 16 funcionários vêem o nível “apropriado” para a taxa de fundos federais, entre 1,25% e 1,50 por cento até o final de 2017, segundo a Reuters.

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