Semestre arranca à distância, mas acena ao presencial

No geral, o segundo semestre inicia-se entre 1 de fevereiro e 1 de março. Com o país ainda em estado de emergência, confinamento apertado e os números da infeção por Covid-19 descontrolados, a saída é iniciar as aulas a partir de casa. O passo seguinte será o modelo misto.

As aulas presenciais são desejadas pela comunidade académica. Porém, no curto prazo, não resta alternativa a não ser continuar a partir de casa. A expectativa é de que o país consiga pôr mão na situação epidemiológica, o que permitirá o regresso aos campi, mesmo que em regime misto.

“O ensino à distância tem os seus méritos, mas não substitui a relação direta, presencial, entre professor e estudante, que é decisiva para o sucesso do processo de ensino-aprendizagem”, afirma António de Sousa Pereira, reitor da Universidade do porto e Presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) ao JE Universidades. “Parece-me desejável que as instituições de ensino retomem o quanto antes as suas atividades presenciais”.

A atividade nos estabelecimentos de ensino superior decorria a meio gás, com avaliações e exames, quando o aumento descontrolado de infeções e óbitos por Covid-19 obrigou o Governo a apertar as medidas de confinamento e encerrar praticamente todo o país, incluindo os estabelecimentos de ensino, em 22 de janeiro. No âmbito da autonomia do ensino superior, que a tutela sublinhou, algumas instituições ajustaram o calendário das avaliações.
Entretanto, os dias passaram e fevereiro chegou. Este é o mês em que a maior parte dos estabelecimentos de ensino superior inicia o segundo semestre do ano letivo, após o período de avaliação. Com o país ainda em estado de emergência, confinamento apertado e os números da infeção por Covid-19 muito elevados, a única saída é arrancar as aulas a partir de casa. E isso estão a fazer.

A Universidade do Porto adaptou as atividades letivas para regime não presencial, sem prejuízo das avaliações que se encontravam a decorrer, na sequência do anúncio do primeiro-ministro. Nesse contexto, está prevista a aplicação de métodos de ensino a distância desde o início do segundo semestre, que começa este mês, não existindo ainda uma previsão do regresso ao modelo presencial, adianta-nos o reitor.

Na U.Porto, estão garantidos os serviços e infraestruturas essenciais, nomeadamente cantinas, que incluem o serviço takeaway como já o faziam, e residências da U.Porto. Estão também disponíveis para utilização as bibliotecas e laboratórios, mediante as normas de utilização já conhecidas.

No vizinho ISAG – European Business School, o segundo semestre arranca a partir de 15 de fevereiro. Elvira Pacheco Vieira, diretora Geral do ISAG, adianta ao JE Universidades que, “nessa data, serão mantidas as comunicações síncronas online, que permanecerão em vigor pelo tempo necessário e sempre de acordo com as normas implementadas pelo Governo”.

Após a decisão de António Costa, também o ISAG transitou todas as atividades letivas – aulas, sessões de atendimento e avaliações – para comunicações síncronas online na ISAG E-Learning Platform. Elvira Pacheco Vieira lembra que em março de 2020, quando o país entrou pela primeira vez em confinamento, esta transição tinha sido já bastante rápida. Essa realidade, adianta, “verificou-se, uma vez mais, com professores e estudantes a transitarem, de forma quase ‘automática’, segura e eficaz, do regime presencial para o modelo de ensino remoto”.

 

De 1 de fevereiro a 1 de março
A Universidade Católica foi a primeira a iniciar o segundo semestre. Fê-lo dia 1 de fevereiro em modelo remoto e, assim, permanecerá até ao final do período de confinamento, anunciou, a reitora, Isabel Capeloa Gil, a 20 de janeiro.
A Universidade de Coimbra retoma as atividades letivas dia 15 na modalidade de ensino a distância e dessa forma se manterão até que estejam asseguradas condições de segurança, em linha com as indicações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. A reitoria decidiu alargar a época especial de avaliações até 10 de setembro.

Também na Universidade do Minho, o início das aulas do segundo semestre se mantém na data prevista. “O calendário letivo não vai ser alterado. As aulas iniciar-se-ão no dia 18 com a grande probabilidade de que as duas primeiras semanas sejam online”, informa o reitor, Rui Vieira de Castro. Quando a situação melhorar, “volta o modelo de organização fixado, com aulas presenciais”, esclarece. Apesar da incidência de infeções por SARS-CoV-2 no distrito de Braga ser ainda muito elevada, os número na Universidade revelam-se mais favoráveis. A dia 1 de fevereiro, a média de novos casos diários confirmados de Covid-19 em membros da comunidade da Universidade , calculada a sete e 14 dias, era de 1,1 e 2,9, respetivamente.

Na Universidade do Algarve, as avaliações estão todas a ser realizadas, terminando no dia 27 de fevereiro. O segundo semestre terá início a 1 de março. Fonte oficial da UAlg diz ao JE Universidades que o ensino “será misto (presencial/à distância) após o fim da suspensão das atividades letivas e será a distância, sempre que vigorar a suspensão das atividades letivas”. No Técnico, a maior escola de ensino superior do país, o semestre arranca a 1 de março e “o início decorrerá seguramente à distância”. Também aqui, as avaliações do primeiro semestre ainda decorrem, terminando dia 19.

No geral, a esperança de regressar ao campus ainda este ano letivo permanece acesa. O regime misto é o próximo passo.

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