Serviços de urgências. Sindicatos admitem estar “dececionados” com falta de medidas do Governo

Tanto a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) como a Sindicato Independente dos Médicos (SIM) admitiram ao Jornal Económico que a postura do Governo nas reuniões ficou a aquém do desejado.

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2 – Médicos de família e de clínica geral

Depois de um fim de semana com vários serviços de urgência suspensos pelo país o Ministério da Saúde reuniu-se com sindicatos. Tanto a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) como a Sindicato Independente dos Médicos (SIM) admitiram ao Jornal Económico que a postura do Governo ficou a aquém do desejado.

“A reunião a que fomos convocados de urgência foi dececionante porque depois dos avisos que nós temos feito nos últimos meses, depois daquilo que aconteceu na última semana, particularmente em relação às urgências de genecologia e obstetrícia nós estávamos com alguma esperança que a ministra da Saúde pudesse anunciar algumas medidas para mitigar o problema”, contou ao JE Jorge Roque da Silva, secretário geral do SIM.

Segundo Jorge Roque da Silva na reunião Marta Temido “disse que não ia apresentar propostas, iria ouvir os sindicatos sobre situações que do nosso ponto de vista são de responsabilidade do Governo”.

Por sua vez, Noel Carrilho, presidente da Comissão Executiva da FNAM, sublinha que o ministério quis reunir-se depois dos serviços suspensos serem noticiados. “Foi uma preocupação condicionada por um evento mediático, um princípio que não é dos melhores”.

Além disso, Noel Carrilho aponta que o ministério quis reunir-se para falar sobre um “problema que não surgiu hoje, nem ontem”. “Antes o ministério foi prevenido múltiplas vezes ao longo de anos que este seria o resultado do desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde. Era esperado que chegássemos a este ponto quando não foram criadas condições de trabalho adequadas para os médicos no serviço nacional de saúde”.

“Ficamos extremamente dececionados ao não encontrar nenhum tipo de proposta para discussão, para negociação”, destacou o presidente da comissão executiva da FNAM.

Na falta de medidas da parte do Governo, a FNAM trouxe “à mesa soluções de curto prazo” tais como a valorização do “trabalho em serviço de urgência dos médicos do serviço nacional de saúde”. Essa valorização devem passar também pelo aumento da remuneração, que na perspetiva da FNAM deve “ser negociada a breve trecho”.

Marta Temido não demonstrou vontade de acolher as medidas sugeridas pela FNAM.

Já Jorge Roque da Cunha aponta que o plano de contingência da ministra da Saúde terá de se prolongar e destacou que a contratação de profissionais como anunciado à comunicação social na prática não resultará.

“Diz que vai contratar profissionais de saúde no próximo mês, mas esses profissionais são médicos que neste momento já estão no sistema. São internos do último ano que fazem parte das escalas, fazem consultas, estão nas enfermarias. Portanto, é uma falácia dizer que se vai contratar mais médicos”, referiu o secretário geral do SIM.

Ambos concordam se não houver ação por parte do Governo o problema nos hospitais só vai piorar.

Nos últimos dias no Hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada, não houve atendimento urgente de ginecologia e obstetrícia durante o dia 8 e as 08h30 do dia 9 e de ortotraumatologia até às 20h00 do dia 8. Na segunda-feira, dia 13, hoje foi a vez do Hospital de Vila Franca de Xira que pediu ao Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) para encaminhar para outras unidades os utentes transportados em ambulância, por incapacidade do seu Serviço de Urgência. Em Guarda também as urgências de ortopedia ficaram suspensas nos últimos dias.

Agora, em Portimão a Urgência de Ginecologia e Obstetrícia de Portimão vai estar encerrada durante uma semana. Também as Urgências de Ginecologia/Obstetrícia do Garcia de Orta vão estar encerradas na terça-feira à noite. Em Portalegre, as urgências de Obstetrícia fecham entre as 05h00 de quarta-feira e as 08h00 de sexta-feira.

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