Sheikh Hasina e a esperança

Uma nota de esperança na reta final do ano: que o respeito pelos direitos humanos prevaleça sobre a violência e os radicalismos.

Recentemente, a convite de um think tank sediado em Bruxelas – o South Asia Democratic Forum – visitei Daca e tive a oportunidade de reunir com políticos, empresários, advogados e jornalistas do Bangladesh, numa agenda de viagem interessantíssima e da qual destaco a audiência privada com Sheikh Hasina.

Muitos daqueles que leram o título deste artigo de opinião não têm ideia alguma de quem é Sheikh Hasina, mas muitos outros, mais familiarizados com a história e a política do Bangladesh, sabem que se trata da Primeira-Ministra que irá, mais uma vez, a votos no próximo 30 de Dezembro.

Portugal foi o primeiro país europeu a chegar ao Bangladesh por via marítima e a estabelecer relações com o seu povo, no século XVI, o que justifica o carinho e amizade que têm existido entre os dois países nos séculos mais recentes.

Sendo o Bangladesh um dos países mais pobres do mundo é também, e no entanto, o país que tem registado o maior crescimento económico no sul da Ásia. Para o próximo ano, é apontado um crescimento do seu PIB que rondará os 8% a 9%.

O combate à pobreza neste país ainda tem um longo caminho a percorrer, mas também é justo reconhecer que nos últimos anos existiu uma grande aposta na educação; um esforço para aumentar salários; o reconhecimento de direitos laborais; e para ver incorporados na sociedade, como efetivos, os direitos das mulheres. E esses resultados devem-se, principalmente, ao trabalho e empenho de Sheikh Hasina.

O futuro do Bangladesh passa por consolidar a democracia e a liberdade de um país e de um povo que carecem ainda de apoio ao nível dos direitos humanos, uma necessidade cujo suprimento é atualmente, e de forma evidente, o maior projeto das autoridades do país.

Não tenho nenhuma dúvida de que se o Bangladesh continuar neste caminho de desenvolvimento humano e económico será, nas próximas décadas, reconhecido no mundo como um país desenvolvido e estável.

Considero, pois, muito importante que as eleições legislativas do próximo domingo sejam livres e transparentes em todos os seus procedimentos, para que se possa evitar que o extremismo islâmico ganhe de novo terreno e simpatizantes entre a população daquele país.

Finalmente, não seria justo terminar este texto sem destacar que é com particular orgulho que Portugal tem o Sr. Shakhawat Hossain como Cônsul Honorário de Portugal no Bangladesh. Este nosso Cônsul Honorário simboliza tudo o que é bom entre os dois países e que, a meu ver, deve continuar a ser prosseguido e inclusive fortalecido por ambas as partes no futuro.

Nesta crónica, última do ano, finalizo com uma nota de esperança: o desejo de que, no Bangladesh como no resto do mundo, o respeito pelos direitos humanos prevaleça sobre a violência e os radicalismos. Feliz 2019!

 

Inácio Rosa / Lusa

A mensagem televisiva de António Costa aos Portugueses foi um mau presente de Natal. O discurso lembrou, em alguns dos seus momentos e pelas piores razões, o ex-primeiro-ministro José Sócrates quando de forma disfuncional festejava uma realidade virtual para todos, menos para o próprio Sócrates e os seus indefetíveis, vários deles aliás em funções no atual governo.

Portugal assiste à degradação dos serviços públicos, dos transportes à saúde, passando por muitas outras áreas. Temos impostos máximos para serviços mínimos. É importante que o PM não descole da realidade. Para o bem de todos nós.

 

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