Shireen Abu Akleh. Jornalista terá sido abatida acidentalmente por soldados israelitas

Uma nova investigação às circunstâncias da morte de Shireen Abu Akleh, a jornalista do Al Jazeera abatida em Jenin, em maio, veio concluir que terá sido um soldado israelita a disparar acidentalmente sobre a repórter. Israel defende, ainda assim, que os soldados agiram em conformidade com o protocolo.

A investigação conduzida por Israel à morte da jornalista do Al Jazeera, Shireen Abu Akleh, concluiu que a repórter de guerra foi provavelmente abatida a tiro por um soldado israelita. O relatório assinala ainda que Abu Akleh não era um alvo intencional e classifica a ocorrência como um acidente. Já em julho, uma investigação norte-americana concluía também que a responsabilidade era do exército israelita.

De dupla nacionalidade norte-americana e palestiniana, a jornalista foi alvejada na cabeça e acabou por falecer a 11 de maio deste ano, enquanto cobria uma operação militar israelita na cidade de Jenin, na zona ocupada da Cisjordânia. As circunstâncias em que o acidente se deu continuam a ser tema de debate.

O exército israelita diz que as forças que conduziam a operação em Jenin começaram a ser alvejadas por todas as direções e que o instinto foi disparar de volta, inclusive na direção onde Abu Akleh se encontrava, a cerca de 200 metros da sua posição, mas que os soldados não a conseguiram identificar como sendo jornalista.

O relatório hoje citado pela Reuters nota que “há uma forte possibilidade de que a Sr.ª Abu Akleh foi atingida acidentalmente por fogo do IDF [Israel Defense Forces] que foi disparado em direção a suspeitos, estes identificados como atiradores palestinianos”. O documento não descarta, contudo, que Abu Akleh tenha sido abatida pelo lado palestiniano, apesar de outras testemunhas ouvidas negarem que as forças israelitas estavam sequer sob fogo inimigo vindo da zona onde Abu Akleh se encontrava.

“Todas as evidências, factos e investigações que foram conduzidas provam que Israel foi responsável pela morte de Shireen e que deve arcar com as responsabilidades do seu crime”, chegou a dizer à Reuters Nabil Abu Rudeineh, um porta-voz do presidente palestiniano, Mahmoud Abbas.

Shireen Abu Akleh era um dos rostos mais presentes na cobertura do conflito israelo-palestiniano, que cobria há duas décadas. A sua morte despoletou manifestações e protestos em todo o mundo, especialmente depois de um acidente em Jerusalém no dia do seu funeral, quando as forças policiais espancaram alguns protestantes.

A investigação israelita inclui entrevistas com soldados israelitas, análises forenses ao local do crime bem como gravações de vídeo e áudio do momento. As conclusões notam que “não foi possível determinar de forma inequívoca a origem dos disparos” que mataram Abu Akleh. Mesmo perante estas conclusões, Israel negou repetidamente que a jornalista tenha sido um alvo deliberado e defende que os seus soldados reagiram de acordo com o protocolo.

O relatório do gabinete de Direitos Humanos das Nações Unidas veio apontar, em junho, que Abu Akleh se encontrava com outros repórteres internacionais e que estava claramente identificada como sendo jornalista, utilizando nomeadamente o capacete e o colete marcado com as palavras “PRESS”. Um outro jornalista ficou ferido no incidente.

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