Silêncio total na sede de campanha da coligação de Macron após divulgação de projeções

Na sede de campanha da coligação Juntos! (Ensemble!, em francês), no 8.º bairro de Paris, cerca de três dezenas de simpatizantes começaram a juntar-se, pouco antes das 20:00 (19:00 de Lisboa) à frente dos dois ecrãs televisivos que se encontram na sala onde o deputado Sylvain Maillard, candidato nestas legislativas pelo 1.º círculo eleitoral de Paris, irá discursar.

Presidente da República de França, Emmanuel Macron

Os militantes da coligação Juntos!, que apoia o Presidente francês, reagiram às projeções, que indicam que Macron deverá perder a maioria absoluta, com silêncio total e levantando as sobrancelhas num gesto de surpresa.

Na sede de campanha da coligação Juntos! (Ensemble!, em francês), no 8.º bairro de Paris, cerca de três dezenas de simpatizantes começaram a juntar-se, pouco antes das 20:00 (19:00 de Lisboa) à frente dos dois ecrãs televisivos que se encontram na sala onde o deputado Sylvain Maillard, candidato nestas legislativas pelo 1.º círculo eleitoral de Paris, irá discursar.

Às 20:00, quando as televisões divulgaram as primeiras projeções desta segunda volta – que indicam que Macron deverá perder a maioria absoluta –, a maioria dos militantes recebeu os resultados com silêncio e levantar de sobrancelhas.

Pouco depois, os militantes em questão recusaram-se a prestar declarações aos jornalistas, afirmando que preferem esperar pelos resultados finais e que a primeira-ministra, Elisabeth Borne, se exprima.

Antoine, de 20 anos, mostrou-se, no entanto, “extremamente desiludido” com a progressão do partido de extrema-direita, União Nacional, que, segundo as projeções, deverá obter 89 deputados, uma grande progressão relativamente a 2017, quando tinha oito.

O militante disse ainda estar “um bocado supreendido” com os resultados, porque “esperava verdadeiramente” que a coligação presidencial obtivesse uma maioria absoluta.

“Conseguimos, ainda assim, uma maioria relativa, que é o que interessa. Não acho que o país se tenha tornado ingovernável, mas só as próximas semanas o dirão”, sublinhou.

Clément, de 35 anos, disse “estar chocado” com o facto de Macron ter perdido a sua maioria absoluta. Questionado se está impressionado com a progressão da extrema-direita, Clément respondeu: “Não foi a União Nacional que nos roubou votos, foi a NUPES, a NUPES é que nos roubou”.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, garantiu a maioria dos lugares no parlamento mas perdeu a maioria absoluta, indicam as primeiras projeções, que também indicam uma forte subida de extrema-direita.

A abstenção rondou os 54%, mais elevada face à primeira volta da passada semana.

Depois de, na primeira volta das eleições presidenciais francesas, a coligação de esquerda Nova União Popular Ecológica e Social (NUPES) e a coligação presidencial Juntos! (Ensemble!, em francês) terem ficado separadas por cerca de 20 mil votos, Macron vinha repetindo os apelos a um “sobressalto republicano” nesta segunda volta. Pelo contrário, o líder do NUPES, Jean-Luc Mélenchon, tinha pedido que estas eleições fossem uma “terceira volta” das eleições presidenciais.

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