Sindicato dos trabalhadores da CGD reclama apoios do banco e critica “silêncio ensurdecedor”

Para o STEC, é “inqualificável e ensurdecedor” o “silêncio” da administração da CGD  – “o maior, o mais credível e mais lucrativo banco do país” – face à “inflação galopante, à subida obscena do custo de vida, ao ‘aperto de cinto’ e à dificuldade de aquisição de muitos bens essenciais”.

O Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo Caixa Geral de Depósitos (STEC) pediu uma reunião urgente ao presidente executivo da CGD para reclamar apoios face à escalada da inflação.

“O STEC solicitou uma reunião com caráter de urgência ao presidente da Comissão Executiva no sentido de serem apresentadas um conjunto de medidas que visem mitigar os efeitos desta esmagadora inflação. Simultaneamente, aguardamos resposta da CGD à proposta de revisão da tabela salarial intercalar e excecional”, avança o sindicato num comunicado divulgado hoje. Contactada pela agência Lusa, fonte oficial da CGD não quis fazer comentários.

Para o STEC, é “inqualificável e ensurdecedor” o “silêncio” da administração da CGD  – “o maior, o mais credível e mais lucrativo banco do país” – face à “inflação galopante, à subida obscena do custo de vida, ao ‘aperto de cinto’ e à dificuldade de aquisição de muitos bens essenciais”.

Isto, salienta, “mesmo após as medidas de apoio de algumas empresas, nomeadamente bancos da tão apregoada concorrência, com lucros bastante inferiores aos apresentados pela CGD, e que com essa atitude mostraram o seu reconhecimento por todos os que ali trabalham”.

“Surpreendentemente, a administração da CGD continua ‘muda e queda’, como se vivesse numa redoma”, critica o sindicato.

Recordando que, “frequentemente”, a administração da CGD justifica “a sua gestão com base no tal ‘mercado concorrencial e muito competitivo'”, afirmando “que não se pode colocar à margem deste”, o STEC questiona: “Perante as medidas que os outros bancos já implementaram para apoiar os seus trabalhadores, será que a CGD, neste caso, já não irá justificar-se com a concorrência? Ou só considera a concorrência para cortar rendimentos e direitos aos trabalhadores?”.

Afirmando-se, “como sempre, disponível para dialogar e negociar”, o STEC garante, contudo, que “não pode nem vai aceitar que os trabalhadores e reformados sejam ignorados e desconsiderados por uma empresa cuja gestão não assume a sua responsabilidade social num dos momentos mais exigentes das últimas décadas”.

“Temos perfeita noção que os nefastos efeitos da inflação não atingem todos por igual, já que existem na CGD cidadãos que auferem mensalmente remunerações da ordem dos 15, 20 ou 30 mil euros, acrescidas de um bónus anual de centenas de milhares de euros, com transporte gratuito e generosas despesas de representação. A estes, é óbvio que a inflação galopante e o aumento do custo de vida nada lhes diz”, remata.

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