Sindicato faz balanço positivo da greve nos ‘call centers’ e pede intervenção do Governo

Segundo este dirigente sindical, não é possível apurar números de adesão à greve, uma vez que este setor é composto por mais de 110.000 trabalhadores, muitos deles, neste momento, em regime de teletrabalho, e 420 ‘call centers’.

Brian Snyder/Reuters

O Sindicato dos Trabalhadores de ‘Call Center’ (STCC) disse hoje que a greve de sexta e sábado correu dentro das expectativas, apesar de não ter números de adesão, e, nos próximos dias, vai novamente solicitar a intervenção do Governo.

“Correu dentro das nossas expectativas. Queríamos responsabilizar o Governo pela falta de regulamentação da nossa profissão, mas [esta greve] também foi um grito de alerta para, sobretudo em tempos da pandemia, a importância do nosso setor”, afirmou Danilo Moreira do STCC, em declarações à Lusa.

Segundo este dirigente sindical, não é possível apurar números de adesão à greve, uma vez que este setor é composto por mais de 110.000 trabalhadores, muitos deles, neste momento, em regime de teletrabalho, e 420 ‘call centers’ (centros de atendimento).

No entanto, a estrutura sindical adiantou que “houve uma redução no número de trabalhadores nos serviços”, com muitos associados do STCC a aderirem ao protesto.

Os trabalhadores dos ‘call centers’ regressam à greve entre 31 de dezembro e 01 de janeiro, reivindicando o reconhecimento da profissão, aumento dos salários e o fim da precariedade, bem como a promoção da contratação coletiva.

Danilo Moreira lamentou também a situação vivida nas empresas de trabalho temporário, que considerou “inadmissível”, referindo que, até em “grande parte dos serviços públicos” muitos colaboradores são contratados através de empresas de trabalho temporário.

O sindicalista vincou que, “nos próximos dias”, o STCC vai tentar chegar ao contacto com o Governo para tentar solucionar os problemas do setor.

Estão abrangidos pelo pré-aviso de greve todos os trabalhadores que prestem serviço na área dos ‘call centers’ e ‘contact centers’, em trabalho presencial ou teletrabalho, bem como nas áreas administrativas, em todo o território continental e regiões autónomas.

Já os trabalhadores que prestem serviços “socialmente imprescindíveis”, como na linha SNS24 ou linha apoio à vida, bem como no apoio ao INEM ou às forças de segurança estão excluídos deste aviso.

“Somos nós trabalhadores/as de ‘call center’ que damos voz, suporte técnico ou ambas no apoio de marcas como NOS, Meo, Facebook, Google, Apple, Microsoft, Tranquilidade, Metlife, etc. Somos nós que estamos nas linhas de apoio e suporte na Caixa Geral de Depósitos, no Santander, nós somos a ‘voz’ da EDP e até do SNS 24. Como consequência da realidade atual […], os trabalhadores de ‘call center’ fazem cada vez mais trabalho essencial a todas as pessoas”, apontou o sindicato, numa nota divulgada na quinta-feira.

Assim, conforme referiu, as empresas de ‘outsourcing’ (terceirização) e de trabalho temporário expandiram o seu negócio, o que para os trabalhadores deveria conduzir à eliminação da precariedade, do “falso trabalho temporário”, assédio laboral, “jornadas e ritmos de trabalho extenuantes” e ao aumento dos salários.

“Infelizmente, e num setor cujas entidades patronais incluem alguns dos maiores grupos económicos e ‘marcas’ nacionais e internacionais […], os trabalhadores continuam a viver de baixos salários”, notou, acrescentando que estes profissionais, assumem, cada vez mais, um trabalho considerado como “imprescindível”, apesar de continuarem “sem sequer terem a sua profissão reconhecida e valorizada”.

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