Sindicatos do sector financeiro reivindicam 8,5% de aumento e apoio extraordinário

Os sindicatos da FEBASE (Federação do Sector Financeiro) reivindicam 8,5% de aumento salarial e apoio extraordinário para ativos e reformados por causa da perda de rendimento.

Os sindicatos da FEBASE (Federação do Sector Financeiro) reivindicam 8,5% de aumento salarial e apoio extraordinário para ativos e reformados.

Em comunicado, o Mais Sindicato, o SBC (Sindicato dos Bancários do Centro) e o SBN (Sindicato dos Bancários do Norte) dizem que entregaram às instituições de crédito subscritoras do ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) do sector bancário, no início de novembro, uma proposta de 8,5% para a atualização de tabelas e cláusulas de expressão pecuniária em 2023. Mas, referem, “face às dificuldades que os trabalhadores enfrentam, a proposta inclui ainda medidas de apoio extraordinário aos bancários no ativo e na reforma e a revisão de clausulado” e ainda avisam que “as negociações devem ser céleres”.

“O processo de revisão do ACT do sector bancário para 2023 – e necessariamente dos restantes IRCT (Instrumentos de Regulamentação Coletiva de Trabalho) em vigor – será obrigatoriamente mais abrangente, tendo em conta as extremas dificuldades que os trabalhadores enfrentam”, segundo o comunicado.

Assim, os três Sindicatos dos Bancários que integram a FEBASE “decidiram apresentar – além de um aumento de 8,5% nas tabelas e cláusulas de expressão pecuniária – uma proposta de alteração de cláusulas do ACT e introdução de novas”, pois, face à atual situação “é preciso ir mais longe para compensar os bancários, no ativo e na reforma,
pelas perdas de rendimento”.

Para estes sindicatos, “não chega aumentar salários – é urgente reclamar medidas de apoio extraordinário para todos”. Nesse sentido, o documento que as Instituições de Crédito (IC) receberam no início de novembro contém ainda “propostas de revisão e inclusão de clausulado com vista à alteração de algumas matérias, bem como à introdução de novos temas que permitam ajudar os bancários, garantindo direitos já existentes e contratualizando outros”.

O crédito à habitação, o teletrabalho, as dispensas de assiduidade, as férias, os subsídios, as promoções e carreiras
são apenas alguns dos assuntos que vão estar em cima da mesa na discussão que os sindicatos defendem que terá de iniciar-se logo após a receção da sua contraproposta, cujo prazo legal para entrega é de um mês.

“O MAIS, SBC e SBN estão cientes de que é fundamental que o processo negocial decorra com a máxima celeridade, pelo que não estão disponíveis para protelar a sua conclusão como aconteceu no passado recente”, e avisam os bancos que, se pretendem prolongar as negociações com posições intransigentes, “os sindicatos não hesitarão em avançar com as medidas legais ao dispor para ultrapassar a situação”.

Assim, e atendendo à necessidade urgente de garantir aumentos salariais aos bancários no ativo e na reforma, “em março deste ano, os sindicatos da FEBASE encerraram a revisão do ACT do sector bancário para 2021 e 2022, assegurando o processamento salarial aos seus sócios em abril e maio”.

Os sindicatos dizem que os trabalhadores não têm sido beneficiados pelos aumentos dos lucros da banca.

“O sistema bancário português tem apresentado uma forte resiliência e melhorias assinaláveis em vários domínios. Acabou, também, por acomodar razoavelmente as consequências negativas causadas pela crise pandémica, não tendo sofrido efeitos negativos de maior na liquidez, na solvabilidade, na rendibilidade e na respetiva eficiência. A evolução tem sido bastante favorável, encontrando-se ao nível dos melhores padrões do sistema bancário
europeu”, afirmam. No entanto, apontam, “os trabalhadores bancários não têm beneficiado dos ganhos de produtividade e dos lucros apresentados pelas instituições”, que dizem ser de cinco milhões de euros diários.

“A grande maioria dos reformados – com necessidades acrescidas no âmbito do apoio na saúde – encontram-se a
viver com pensões baixíssimas e com muitas dificuldades”, revelam em comunicado.

“Não só em consequência da crise pandémica e da guerra na Ucrânia, cujo impacto se reflete nas elevadas taxas de inflação, mas também pela insuficiente evolução salarial registada nos últimos anos, os bancários no ativo e na reforma vão enfrentar um ano especialmente difícil, pelo que os bancos têm, mais do que nunca, de assumir a sua responsabilidade social para com os trabalhadores”, alertam.

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