Sindicatos esperam que bancos não usem aumentos salariais para esvaziar negociação

Os sindicatos bancários esperam que as atualizações salariais que o BPI, o Novobanco e o Santander Totta farão sejam um bom sinal, e não uma forma de esvaziar a negociação coletiva e de dar a entender que o valor final será dessa ordem.

Os sindicatos bancários esperam que as atualizações salariais que o BPI, o Novobanco e o Santander Totta farão sejam um bom sinal, e não uma forma de esvaziar a negociação coletiva e de dar a entender que o valor final será dessa ordem.

O BPI, Novo Banco e Santander Totta anunciaram que vão atualizar os salários dos seus trabalhadores em 4% já a partir deste mês, isto quando decorre a negociação da revisão salarial de 2023 do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) entre o grupo negociador da banca e os sindicatos.

Contactado pela Lusa, o presidente do Mais Sindicato, António Fonseca, afirmou que parece haver a intenção de “querer esvaziar a negociação coletiva e a negociação salarial”, considerando que tal demonstra “desrespeito para com a negociação coletiva”. Além disso, afirmou, a atualização que os bancos fazem é só para salários, não para as pensões dos reformados bancários, quando a negociação do ACT do setor se aplica tanto a trabalhadores no ativo como a reformados.

António Fonseca vê nesta atitude também a intenção de “desmobilizar os trabalhadores do ativo para qualquer tipo de luta”. O presidente do SBN – Sindicato dos Trabalhadores do Setor Financeiro de Portugal, Mário Mourão, disse que espera que este seja um sinal de “bom senso e sensibilidade” dos bancos, pelo que vê esta decisão “com bons olhos” se este for apenas um adiantamento e não um sinal “daquilo que será o final das negociações”.

“São medidas positivas mas esperamos que não seja um sinal para a mesa de negociações de que é aqui que vai chegar, sobretudo quando sabemos que os bancos se prepararam para divulgar enormes lucros” referentes a 2022, afirmou. “Espero que seja apenas um adiantamento”, vincou o também secretário-geral da central sindical UGT.

Para o presidente do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) estas atualizações significam que as “entidades patronais ouviram o clamor dos bancários” e considera um “bom movimento, mas ainda incompleto”, esperando que nas negociações o valor de atualização salarial seja maior. “Enquanto for sinal de avanço, de boa vontade, concordamos. Se for tentativa de esvaziar [a negociação coletiva] não estaremos concordantes”, afirmou Paulo Marcos.

Mais Sindicato, Sindicato dos Bancários do Centro e SBN reivindicam, para este ano, 8,5% de atualização de tabelas e cláusulas de expressão pecuniária. O Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) exige 6,25%. Para já, a contraproposta das instituições financeiras subscritoras do ACT é de 2,5% de aumento salarial, abaixo das previsões da inflação para este ano, valor que os sindicatos têm considerado indigno. O Banco de Portugal estima uma inflação de 5,8% este ano.

O grupo negociador da banca, responsável pela revisão do ACT do setor, representa cerca de 20 instituições financeiras que atuam em Portugal, entre elas Santander Totta, Novo Banco e BPI. Já Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP, Crédito Agrícola e Montepio têm acordos autónomos. No caso do banco público CGD a proposta de aumento salarial é de 3%, o que os sindicatos têm considerado inaceitável.

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