Sindicatos pedem aos bancos que estendam aos pré-reformados cheques anti-inflação

Enquanto bancários e reformados do sector receberam apoios contra a inflação, pré-reformados ainda não tiveram direito a qualquer ajuda. Sindicatos pedem que cheques preparados para quem está no ativo sejam estendidos também a quem está em pré-reforma.

Cristina Bernardo

Os sindicatos bancários da UGT defendem que também os trabalhadores em pré-reforma devem ter direito aos apoios extraordinários preparados pelos empregadores do sector em resposta à escalada dos preços. Enquanto os trabalhadores no ativo receberam, no final do ano, cheques nesses sentido e os reformados vão receber um suplemento, os pré-reformados da banca não receberam, até ao momento, qualquer ajuda contra a inflação.

“Em 2022, muitas instituições tomaram a iniciativa, por ato de gestão, de atribuir apoios extraordinários aos seus trabalhadores, cada uma adotando o critério que entendeu ser justo, e dessa forma ajudá-los a mitigar as dificuldades originadas pela escalada da inflação”, começam por explicar esta manhã o Mais Sindicato, o Sindicato dos Bancários do Centro (SBC) e o Sindicato dos Trabalhadores do Sector Financeiro de Portugal (SBN).

A título de exemplo, no final de 2022, a Caixa Geral de Depósitos atribuiu um cheque até 900 euros aos seus trabalhadores, contra a “histórica inflação”, e o Novo Banco deu um apoio de 500 euros.

Por outro lado, depois de vários meses de negociação, os bancários reformados vão receber um suplemento de meia pensão, semelhante ao que foi atribuído aos pensionistas da Segurança Social.

“Porém, permanece a discriminação de um grupo de trabalhadores: os que, ainda no ativo, estão na situação de pré-reforma”, destacam os sindicatos bancários da UGT.

Em causa estão trabalhadores cujo contrato está suspenso e o salário a ser alvo de um “corte significativo”, enquanto aguardam pela chegada da reforma. “Socialmente, estão numa situação muito mais vulnerável do que qualquer outro trabalhador no ativo ou qualquer reformado bancário, pois viram substancialmente diminuída e reduzida a contrapartida monetária no final do mês”, realçam as estruturas sindicais.

O Mais Sindicato, o SBC e o SBN defendem, assim, que as instituições de crédito que tenham trabalhadores nesse situação devem aplicar-lhes a situações “preconizada para os trabalhadores no ativo”.

“Tendo em conta o reduzido número de trabalhadores na situação de pré-reforma e o peso muito pouco significativo nas contas globais, deixar estes trabalhadores fora dos apoios traduzir-se-á no agudizar das dificuldades do quotidiano, numa flagrante injustiça e numa impiedosa omissão do respeito pelo princípio da igualdade”, alertam os representantes dos trabalhadores.

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