Síria: Amnistia quer que ONU mantenha corredor humanitário para evitar catástrofe

A Amnistia Internacional denunciou “as condições de vida insuportáveis e aterradoras” nos campos de deslocados internos no noroeste da Síria, onde a não renovação do último corredor de ajuda humanitária pode causar “uma catástrofe para milhões de pessoas”.

A Amnistia Internacional denunciou “as condições de vida insuportáveis e aterradoras” nos campos de deslocados internos no noroeste da Síria, onde a não renovação do último corredor de ajuda humanitária pode causar “uma catástrofe para milhões de pessoas”.

A denúncia foi feita em relatório intitulado “Condições de vida insuportáveis: Acesso inadequado aos direitos económicos e sociais nos campos de deslocados internos no noroeste da Síria”, que assentou em trabalho de terreno feito entre fevereiro e maio de 2022.

Sem um acesso adequado a direitos económicos e sociais nos campos de deslocados internos no noroeste da Síria”, como habitação condigna, água, saneamento e saúde, as pessoas nestas condições “vivem em condições aterradoras” e encontram-se “vulneráveis e inteiramente dependentes da ajuda internacional para sobreviver”.

Neste quadro, esta organização de defesa dos direitos humanos reiterou “que os membros do Conselho de Segurança da ONU devem alargar a resolução transfronteiriça que permite às Nações Unidas prestarem ajuda a pelo menos quatro milhões de residentes e deslocados internos no noroeste da Síria, antes de a mesma expirar a 10 de julho”.

A Amnistia detalhou que nestes campos, no noroeste da Síria, vivem cerca de 1,7 milhões de pessoas, das quais 58% são crianças. “Muitas destas pessoas vivem há mais de seis anos em condições de miséria, enfrentando o risco de doenças e violência de género”, avançou ainda a organização.

No seu texto, a Amnistia detalha a vida quotidiana das pessoas naquelas “condições aterradoras”, como “consequência da negação ou obstrução do governo sírio ao acesso das pessoas aos seus direitos económicos e sociais”.

A Amnistia realçou também que “muitas destas mulheres e crianças e destes homens passaram mais de seis anos a viverem em condições de absoluta destituição no noroeste da Síria”, e estão “totalmente dependentes das organizações humanitárias para sobreviver”.

Com poucas perspetivas de regressarem às suas casas, devido ao comportamento das autoridades sírias, estas pessoas, sintetiza a Amnistia, confrontam-se com uma permanência nestes campos, “que significa condições de vida insustentáveis e riscos de doenças e violência baseada no género”, apontou a subdiretora da Amnistia para o Médio Oriente e Norte de África, Diana Semaan.

“Desde que perdeu o controlo da parte noroeste do país, o governo sírio cotou os fornecimentos de água e eletricidade, dificultou a ajuda (humanitária) e atacou campos, instalações médicas e escolas, colocando o ónus do fornecimento de serviços nas organizações humanitárias”, acusou a Amnistia.

Desta forma, concluiu, “não há solução efetiva para o fornecimento de ajuda humanitária adequada no noroeste da Síria sem ser com a renovação do mecanismo transfronteiriço existente”, pelo que “é imperativo que o Conselho de Segurança da ONU renove a autorização para este mecanismo antes que expire em 10 de julho”.

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