Sistema bancário e financeiro tem que ter “robustez” para lidar com “disruptores operacionais”

A nova administradora do BdP refere duas preocupações principais para os bancos centrais: a salvaguarda da resiliência do sistema, tão mais importante com o advento da digitalização e das moedas cripto, bem como a garantia de conduta para assegurar a confiança no sistema em si.

Este é o OE que o país precisa? – Francisca Guedes de Oliveira, professora Auxiliar da Católica | Cristina Bernardo

A nova administradora do Conselho de Administração do BdP diz que uma das grandes preocupações principais para os bancos centrais tem que ver com a resiliência, não apenas financeira, mas também operacional, que permita adaptar-se à digitalização e lidar com “disruptores operacionais”.

Francisca Guedes de Oliveira refere que a digitalização e a eletricidade oferecem desafios acrescidos e que deste modo, deve-se “garantir que se ganha robustez e resistência para ultrapassar eventuais disruptores operacionais”, nomeadamente o sistema eletrónico de pagamento, dependente da eletricidade, e o advento das criptomoedas e da blockchain.

A responsável falava esta terça-feira durante a audiência de indigitação para o cargo de administrador do Conselho de Administração do Banco de Portugal, na Comissão de Orçamento e Finanças, na Assembleia da República.

Uma outra preocupação que a responsável aponta tem que ver com a conduta. Esta “refere-se à conduta de cada um, mas também como o sistema reage a conduta dos outros também”, e, deste modo, “o sistema financeiro e bancário tem um impacto tão grande na economia, que questões de comportamento são cruciais para [garantir] a confiança no sistema e estabilidade do mesmo”, defende.

A nova administradora do Conselho de Administração do BdP considera ainda que, na sua luta contra a inflação, os bancos centrais procedam ao inevitável aumento das taxas de juro “de forma gradual”, apontando esse mesmo aumento das taxas de juro como um dos principais desafios a enfrentar pelo BdP.

“Relativamente ao sistema bancário português, os principais riscos são derivados da política monetária, e, portanto, do aumento das taxas de juro”, explicou Francisca Guedes de Oliveira. A responsável acrescentou que, “se a política for bem calibrada”, o BdP consegue garantir a funcionalidade do “mecanismo único de supervisão e resolução”, bem como “um mecanismo comum de garantia dos depósitos.”

Por outro lado, Francisca Guedes de Oliveira defende que este aumento dos riscos que se vem a sentir, impulsionados por um clima de incerteza na economia, impulsionam o aumento de oportunidades: “É do equilíbrio entre riscos e oportunidades que se pode garantir a estabilidade do sistema”.

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