Sistemas analíticos: uma decisão inevitável

Atualmente são gerados diariamente tantos dados quantos a humanidade gerou desde o início dos tempos até 2003. Só nos últimos dois anos foram gerados 90% dos dados existentes e segundo a IDC, duplicarão a cada dois anos até 2020, altura em que atingirão o gigantesco valor de 44 Zettabytes.


Notice: Undefined offset: 1 in /var/www/vhosts/jornaleconomico.pt/httpdocs/wp-includes/media.php on line 1031

Notice: Undefined offset: 2 in /var/www/vhosts/jornaleconomico.pt/httpdocs/wp-includes/media.php on line 1031

Atualmente são gerados diariamente tantos dados quantos a humanidade gerou desde o início dos tempos até 2003. Só nos últimos dois anos foram gerados 90% dos dados existentes e segundo a IDC, duplicarão a cada dois anos até 2020, altura em que atingirão o gigantesco valor de 44 Zettabytes.

A rapidez de produção e circulação de dados é estonteante – se demorar um minuto a ler este artigo, no final terão sido registados 4.166.667 “gostos” no Facebook, 110.040 chamadas no Skype, transportados 694 passageiros pela Uber e 31.000 utilizadores descarregaram uma aplicação da Apple Store.

Todos os dias as empresas contribuem significativamente para estes números. Basta lembrar o relacionamento com o estado, clientes, fornecedores, parceiros, colaboradores, a utilização de sistemas de informação, o uso de aparelhos ligados à Internet, tais como dispositivos móveis, computadores, equipamentos de controlo de produção, entre outros exemplos de fortes contribuintes para o universo digital global.

Estima-se que 50% destes dados tenham valor em termos de negócio. Não é, portanto, de estranhar que as ciências dos dados tenham registado um crescimento exponencial nos últimos anos e que isso tenha resultado em avanços sem precedentes nas tecnologias que, afinal, têm como objetivo criar valor a partir de uma matéria-prima de elevada complexidade – volume e variedade como são os dados. Esta indústria atingiu excelentes níveis de consolidação e sofisticação, algo que posicionou o Big Data e Analytics como pilares naquilo que a IDC denomina de terceira plataforma dos sistemas de informação.

Em Portugal mantém-se uma perspetiva de adoção bipolar. Nas grandes organizações a adoção de sistemas analíticos é praticamente universal. Cerca de 98% das empresas deste segmento incluiu dotação para os sistemas analíticos no orçamento de 2015, das quais mais de 40% efetuaram um reforço do investimento. No caso das PME o nível de adoção é manifestamente inferior, rondando os 10%, sendo que os principais motivos apontados para este facto são a inexistência de recursos, de orçamento ou a incerteza sobre o valor criado para a organização. Esta realidade revela a extrema dificuldade que existe em provar aos decisores o valor que estas ferramentas podem ter para o seu negócio.

Apesar de haver consciência de que os ganhos são efetivos e evidentes, a dificuldade em mensurá-los resulta na inexistência de uma perceção tangível e, consequentemente, no adiamento das decisões de adoção. Para resolver esta equação será sempre necessária a realização de uma introspeção organizacional, de modo a avaliar potenciais oportunidades que poderão gerar ganhos efetivos.

Para este exercício é desejável iniciar pelas “pedras grandes”, ou seja, acreditando no princípio de Pareto, haverá 20% de melhorias que resultarão em 80% de benefícios.

Um exemplo deste efeito é frequentemente verificado na gestão do inventário onde a aplicação de medidas simples como a classificação ABC, conjugada com o dimensionamento das existências armazenadas segundo uma lógica em que os materiais mais críticos são mantidos com taxas de cobertura mais elevadas do que os restantes, resulta frequentemente em reduções superiores a 30% dos custos de armazenagem, no aumento do rácio de entregas atempadas aos clientes e, consequentemente, na sua satisfação e fidelização.

Outro exemplo comum assenta no processamento de informações de apoio à gestão onde a recolha manual de dados, o tratamento em formatos pouco estruturados e a falta de uniformização provocam desperdícios de tempo consideráveis e minam a credibilidade da informação. Isto resulta na inexistência de uma efetiva gestão informada.

Existirão seguramente muitas oportunidades de ganhos que uma análise cuidada à organização irá evidenciar. Isto justificará a revisão das prioridades dos investimentos, que certamente passarão pela implementação de um sistema analítico.

Nuno Queirós,
Diretor da área de Business Analytics da Primavera BSS

Recomendadas

Economias emergentes acusam UE do aumento de preço do gás natural

A anarquia de preços e quantidades nos mercados internacionais do gás natural decorre do desnorte europeu das sanções económicas contra a Rússia, muito mal concebidas porque contra os interesses dos países-membros, mas afetando de sobremaneira os países emergentes de menor poder de compra.

A solidão que tanta falta nos faz

O que acontece quando a vida em conjunto se torna uma escolha forçada e a única alternativa? O que acontece quando escolhemos, de forma constante, abdicar da nossa privacidade?

Proibido poupar

Uma sociedade que oprima a poupança e reduza o indivíduo a uma máquina de consumo será, indubitavelmente, opressora.