SITAVA acusa ANA de avançar com despedimento coletivo de cinco trabalhadores

A direção do sindicato acusa a administração da gestora aeroportuária de estar a avançar com um PDC (Processo de Despedimento Coletivo) sobre cinco trabalhaxdores da empresa, “absolutamente inqualificável, o primeiro na história desta empresa, o que também não pode ser indissociável da privatização a uma multinacional que só tem trazido precariedade aos trabalhadores dos aeroportos”.

O SITAVA – Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e dos Aeroportos acusa a administração da ANA – Aeroportos de Portugal, detida pelo grupo francês Vinci, de estar a proceder a um despedimento coletivo junto de cinco trabalhadores da empresa.

Recordando, em comunicado, que a ANA “acumulou, nos últimos sete anos, 1.173,2 milhões de euros em lucros”, o SITAVA ironiza: “forçados a viver com tão pouca rentabilidade por mês, os acionistas da ANA viram-se na obrigação de propor reduções salariais ‘voluntárias’ aos trabalhadores em abril”.

“Agora, cinco desses trabalhadores, que até aderiram a essa medida ‘voluntária’ sob compromisso público da ANA de “tudo fazer para preservar os postos de trabalho”, estão agora a ser alvo de um PDC (Processo de Despedimento Colectivo) absolutamente inqualificável, o primeiro na história desta empresa, o que também não pode ser indissociável da privatização a uma multinacional que só tem trazido precariedade aos trabalhadores dos aeroportos”, denuncia o referido comunicado.

A direção do SITAVA garante ainda que esses trabalhadores, desde 2006, “têm sido alvo de exploração dentro do grupo [ANA], primeiro como pseudo-trabalhadores da Portway e após decisão judicial (que desmascara a precariedade instituída) integrados em 2016 na empresa ANA, com a obrigatoriedade de integração em categoria profissional constante no AE [Acordo de Empresa], correspondente a Assistente II”.

“Desde então, estes trabalhadores passaram a ser um alvo, pelo simples facto de terem lutado pelos seus direitos, e não mais tiveram sossego. Nunca tiveram direito a farda da empresa (obrigados a usar as suas próprias roupas); praticavam horários em que permaneciam parte do mesmo sozinhos a atender os passageiros ininterruptamente, sem qualquer hipótese sequer de ir à casa de banho. E a empresa, apesar de os tratar dessa forma, retirava do trabalho destes trabalhadores, proveitos bastante apetecíveis, na ordem dos milhares de euros diários (que o digam os passageiros que ali recorriam e que melhor que ninguém sabiam o quanto era o valor que lá deixavam a troco deste serviço)”, salienta o comunicado em questão.

De acordo com a versão do SITAVA, “a ANA, aos poucos, começou a subcontratar trabalhadores ainda mais precários, através de empresas ‘negreiras’, como se de uma mensagem velada se tratasse emanada pela empresa, a dizer-lhes que não os queriam ali, pois outros acabariam por os substituir mais cedo ou mais tarde”.

“Retiraram-nos do local físico, transformando o mesmo numa casa de banho pública, recolocaram-nos num contentor no parque de estacionamento, ainda mais desconfortáveis e cada vez mais afastados. Mesmo assim, quando surgiu a pandemia e a ANA pediu aos seus trabalhadores a adesão ‘voluntária’ a uma redução salarial de 20%, estes trabalhadores, apesar de marginalizados, responderam positivamente à proposta da empresa, aderindo também a esta medida. E, ainda assim, a ANA quer aproveitar a onda do momento que a aviação civil atravessa e avança com um PDC para estes trabalhadores do ‘GUETO’ do depósito de bagagem, desculpando-se agora com a instalação de cacifos e consequente extinção desta categoria de ‘Assistentes de depósito de bagagem’. Acontece que esta não é a categoria profissional destes trabalhadores, a qual existe noutras áreas da empresa podendo perfeitamente acomodar estes cinco trabalhadores! Advogados pagos principescamente não sabem disto? Ou não querem saber?”, questiona-se a direção do SITAVA.

Segundo o comunicado em questão, “tudo isto acontece num momento em que é notícia o prémio que o aeroporto Humberto Delgado conquistou como sendo ‘o melhor da Europa’ em 2020… para quem lá trabalha, só se justificará mesmo pelo escasso número de passageiros…”.

“Ficamos todos estarrecidos com estas ‘futilidades’ que fazem encher o peito a muitos, ao mesmo tempo que a empresa tem atitudes ‘mesquinhas’ e exploradoras para com os trabalhadores, o que começa a ser um hábito! E não deixa de ser irónico que a empresa que alega não ter dinheiro para segurar estes cinco postos de trabalho, seja a mesma que não olha a gastos quando se trata de recorrer ao escritório de advogados (talvez por ser do presidente da ANA, tenham desconto…)”, critica o SITAVA.

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