Situação em Zaporizhzhia atingiu ponto “muito alarmante”, alerta diretor da Agência Internacional de Energia Atómica

A fábrica tem estado sob o controlo das tropas de Moscovo desde março, tendo sido mantida em funcionamento desde então por funcionários ucranianos.

Yehor Milohrodskyi/Unsplash

A situação na central nuclear ucraniana de Zaporizhzhia deteriorou-se rapidamente nos últimos dias, tendo já atingido um ponto “muito alarmante”, nas palavras do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), citado pelo “Politico”.

“Estas ações militares perto de uma instalação nuclear tão grande podem ter consequências muito graves”, disse Rafael Mariano Grossi durante a reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas em Nova Iorque no final da quinta-feira

A central foi desmantelada em 5 de agosto, causando várias explosões perto do quadro elétrico, bem como um corte de energia, segundo o mesmo responsável, adiantando que houve um bombardeamento numa estação de oxigénio de nitrogénio.

Segundo Grossi, apesar de os bombeiros terem extinguido o incêndio, as reparações ainda têm de ser examinadas e avaliadas.

A fábrica tem estado sob o controlo das tropas de Moscovo desde março, tendo sido mantida em funcionamento desde então por funcionários ucranianos.

De acordo com a Ucrânia, cerca de 500 soldados russos e 50 peças de maquinaria pesada, incluindo tanques, foram mobilizados para o local.

Grossi reiterou na quinta-feira o seu apelo para que a agência fosse autorizada a visitar o local o mais rapidamente possível para efetuar testes de segurança.

Embora a avaliação inicial da AIEA não aponte para qualquer ameaça imediata, “isto pode mudar a qualquer momento”, advertiu.

Até agora, Kiev tem impedido a AIEA de visitar a central nuclear.

Na reunião de quinta-feira, o presidente da Ucrânia disse que a retirada das tropas russas era a única forma de eliminar qualquer ameaça nuclear.

Volodymyr Zelensky salientou também que a central deveria regressar a controlo ucraniano: “Este é um interesse global, e não apenas uma necessidade ucraniana”, afirmou.

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