Só 8% das empresas inquiridas pela Accenture usa novas tecnologias e formas de trabalho para se reinventar

A análise da Accenture também mostra que a produtividade de 11% cai para 4% quando as empresas implementam soluções tecnológicas e de dados que não estão integradas com os seus colaboradores.

O estudo global da Accenture identifica um grupo emergente de organizações líderes que estão a adotar a estratégia de “Total Enterprise Reinvention” para alcançar níveis superiores de desempenho. No “Total Enterprise Reinvention CxO Survey” a Accenture Research realizou um inquérito a 1.516 executivos em novembro de 2022.

Os inquiridos foram questionados sobre a abordagem da sua organização à transformação empresarial e estratégia de reinvenção, bem como sobre os seus programas específicos e fatores de sucesso.

“O ambiente volátil que se vive atualmente levou a que um pequeno grupo de empresas adotasse uma estratégia de Total Enterprise Reinvention – a qual inclui novas tecnologias e formas de trabalho -, de modo a poderem crescer e liderar nos seus mercados”, lê-se no comunicado da consultora.

A Total Enterprise Reinvention é a estratégia alimentada pelos avanços em tecnologias como a Inteligência Artificial (AI) e a Cloud Computing.

A Accenture diz que, atualmente, apenas 8% das empresas inquiridas são ‘Reinventors’, “estabelecendo uma nova meta de desempenho para si próprias e, na maioria dos casos, para as suas indústrias”.

“A sua transformação está centrada em torno de um core digital forte e de novas formas de trabalho que ajudam a otimizar as operações e a impulsionar o crescimento”, refere o comunicado da consultora.

Como parte do estudo, a Accenture integrou mais de 1.500 executivos, 75% dos quais concordaram que uma série de forças externas – particularmente o ritmo da inovação tecnológica, a mudança das preferências dos consumidores e as alterações climáticas – vão acelerar ainda mais o seu investimento na transformação digital.

“A maioria das empresas (86%) concentra-se na transformação de partes do seu negócio e trata a transformação como um programa finito e não como um processo contínuo”, refere a Accenture que chama a estes ‘Transformers’.

Os restantes 6% das empresas são ‘Otimizers’. Estes últimos concentram-se em transformações funcionais de âmbito limitado e, nestes casos, a tecnologia não é considerada um facilitador significativo das suas transformações.

“No caso dos ‘Reinventors’, os benefícios financeiros são claros, uma vez que estas empresas reportam um crescimento de receitas incremental de 10%, melhorias na redução de custos em 13% e melhorias no balanço 17% mais elevadas do que os Transformers. Também proporcionam 1,3 vezes mais valor financeiro nos primeiros seis meses do que os ‘Transformadors’ – um reflexo da velocidade a que os ‘Reinventors’ operam. Além disso, dois terços dos ‘Reinventors’ dizem que a entrega da sua estratégia de reinvenção está a ser significativamente mais rápida em relação a transformações passadas, em comparação com menos de um terço dos ‘Transformers’”, refere o estudo.

Julie Sweet, presidente e CEO da Accenture revela que “após a pandemia, estes líderes encontraram uma nova estratégia que lhes permitiu mudar o rumo das suas organizações e das suas indústrias”. Julie Sweet acredita que “estes executivos estão a transformar cada parte da sua empresa para conseguir melhores resultados financeiros, inovação, maior resiliência, e criar mais valor para todas as partes interessadas”.

Jack Azagury, Diretor Executivo do grupo Accenture Strategy & Consulting explica que “o nosso Índice Global de Disrupção, uma medida composta que abrange disrupções económicas, sociais, geopolíticas, climáticas, de consumo e tecnológicas, mostra um aumento de 200% nos últimos cinco anos”. Jack Azagury assume que “chegou o momento de as empresas adotarem uma estratégia de Total Enterprise Reinvention que hoje está disponível através da tecnologia e de novas formas de trabalho”.

A sondagem foi conduzida em dez países: Austrália, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos da América e os inquiridos representaram 19 indústrias: Aeroespacial e Defesa; Aviação, Viagens e Transportes; Automóvel; Banca (Retalho); Mercado de Capitais; Química; Comunicações, Media e Entretenimento; Bens de Consumo e Serviços; Energia; Saúde; Tecnologia; Bens e Equipamentos Industriais; Seguros; Recursos Naturais; Farmacêutico, Biotecnologia e Ciências da Vida; Serviços Públicos; Retalho; Software e Plataformas; e Serviços Públicos.

Como é que as empresas se podem tornar ‘Reinventors’?

As empresas que adotam a Total Enterprise Reinvention  apresentam seis características. A primeira é que consideram a reinvenção  estratégia e já não é apenas uma alavanca de execução.

Nestas empresas o core digital torna-se uma fonte primária de vantagem competitiva.

“Aproveitam o poder da Cloud, dos dados e da IA através de um conjunto interoperável de sistemas em toda a empresa que permite o rápido desenvolvimento de novas capacidades”, explica a Accenture. Nestas empresas a reinvenção vai além dos padrões de referência e a tecnologia e as novas formas de trabalho criam uma nova meta de desempenho.

A estratégia de talento e o impacto das pessoas são fundamentais para reinventar, para estas empresas que consideram a gestão da mudança uma competência central.

A reinvenção não tem fronteiras e quebra silos organizacionais. Aborda as capacidades end-to-end. A reinvenção é contínua e já não é uma reinvenção pontual definida no tempo, mas uma capacidade continuamente explorada pela organização.

Investir em novas tecnologias para impulsionar a Inovação – Cloud, IA e o Metaverso são três megatendências tecnológicas

“A Accenture publicou três relatórios adicionais no Fórum Económico Mundial 2023 que sublinham a importância da Total Enterprise Reinvention para acelerar o crescimento através da construção de um core digital forte, do investimento em novas tecnologias, e da transformação da forma como a colaboração funciona em toda a organização”, refere a consultora.

“Investir em novas tecnologias para impulsionar a Inovação – Cloud, IA e o Metaverso são três megatendências tecnológicas que prometem gerar oportunidades significativas tanto a curto como a longo prazo. Ao aproveitar estas megatendências para estabelecer um núcleo digital e capitalizar a próxima geração de avanços tecnológicos, cada empresa pode reinventar a sua empresa com crescimento de receitas inovador, eficiências operacionais e inovação”, diz a Accenture.

Em 2020, os serviços de IA cresceram 17,3% para 19,4 mil milhões de dólares, e prevê-se que aumentem para 50,5 mil milhões de dólares em 2025, com uma Taxa de Crescimento Anual Composta de 21%.

As empresas que planeiam adotar a próxima geração de IA e métodos computacionais avançados têm 2,6x mais probabilidades de aumentar as receitas em 10% ou mais do que as empresas que não estão a investir nestas áreas, conclui a Accenture.

Os CEO identificam a combinação de dados, tecnologia e pessoas como fatores de crescimento. Outros estudos da Accenture revelam que enquanto os CEOs veem a combinação de dados, tecnologia e pessoas como essencial para impulsionar o crescimento, apenas 5% das grandes organizações globais desbloqueiam efetivamente o valor desta combinação. As empresas que se apercebem desta oportunidade conseguem aumentar a sua produtividade em 11%.

O relatório também mostra que a produtividade de 11% cai para 4% quando as empresas implementam soluções tecnológicas e de dados que não estão integrados com os seus colaboradores.

O relatório identifica que o cargo de Chief Human Resources Officer (CHRO) como um catalisador chave para desbloquear o valor desta combinação de dados e tecnologia de pessoas para o crescimento. Ao todo 89% dos CEOs dizem que os CHRO deveria desempenhar um papel-chave para assegurar um crescimento rentável a longo prazo. Mas apenas 45% dos CEOs estão a criar um ambiente que permite aos CHRO acelerar o crescimento.

Num outro relatório, a Accenture descobriu que “embora 65% dos líderes empresariais europeus concordem que estão a enfrentar o ambiente macroeconómico mais difícil da sua história, uma proporção ainda maior (77%) está confiante na sua capacidade de acelerar o crescimento durante uma recessão económica.” A longo prazo, no entanto, à medida que o ambiente macroeconómico global continua a ser volátil e o ritmo da inovação tecnológica acelera, as empresas europeias precisam de tomar a decisão deliberada de se transformarem através de uma estratégia de “Total Enterprise Reinvention” para ajudar a sustentar a sua competitividade e crescimento, conclui a análise.

O Índice Global de Disrupção é uma medida composta que abrange as perturbações económicas, sociais, geopolíticas, climáticas, de consumo e tecnológicas, e mostra que os níveis de disrupção aumentaram 200% de 2017 a 2022. Em comparação, o Índice subiu apenas 4% de 2011 a 2016. A Accenture criou uma medida global de disrupção para avaliar o nível de volatilidade e mudança no ambiente empresarial externo. O índice baseia-se na média de seis subcomponentes que cobrem as esferas económica, social, geopolítica, ambiental, de consumo e tecnológica.

 

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