Só 9% das empresas nacionais dizem ter trabalhadores certos para concretizar objetivos sociais e ambientais

Quase metade das empresas nacionais têm objetivos de ESG identificados, mas a maioria diz não ter os trabalhadores adequados para concretizar a estratégia. Recrutamento e “upskilling” são apostas dos empregadores portugueses, revela estudo do ManpowerGroup.

Ainda que as empresas portuguesas estejam hoje mais abertas à adoção de políticas ambientais e sociais, a maioria (cerca de 91%) considera não contar com os trabalhadores adequados para passar essas metas do papel à realidade. Perante esse cenário, quase metade dos empregadores nacionais pretendem agora recrutar novos profissionais e cerca de 40% estão interessados em dar novas competências aos seus trabalhadores, revela o estudo “The Search for ESG Talent”, do ManpowerGroup, a que o Jornal Económico teve acesso em primeira mão.

“As políticas ESG – ambientais, sociais e de governança – são hoje uma preocupação central das organizações, que, de forma crescente, procuram desenvolver ações concretas e com impacto nas pessoas, comunidades e no planeta”, diagnostica referido estudo.

É nesse contexto que as empresas nacionais estão a criar estratégias de ESG: em Portugal, 43% das empresas já têm objetivos deste tipo identificados e 39% estão a planificar a sua concretização. Mas para que esse trabalho chegue a bom porto é necessário que haja o talento adequado.

Segundo a análise agora divulgada, a grande maioria dos empregadores (91%) considera não dispor atualmente desse talento para conseguir os tais objetivos.

Portugal está, neste ponto, alinhado com os demais países: o cenário global indica que 94% dos empregadores sentem essa falta de trabalhadores com as competências necessárias.

Para responder a essa escassez de talento relacionada com ESG, 45% das empresas em Portugal pretendem recrutar novos profissionais, 41% pretendem fazer o upskill dos seus trabalhadores, 24% consideram acrescentar novas responsabilidades em ESG às funções atuais da sua equipa e 23% a contarem ainda recorrer a consultores externos na matéria.

Em comparação, a nível global é bem maior a fatia de empresas que pretendem dar novas competências aos seus trabalhadores: 52% contra os tais 24%. Por outro lado, o número de empresas que pretendem recrutar é inferior do que em Portugal: 41% contra os tais 45%.

“No que respeita às áreas para as quais as empresas pretendem recrutar, governança é referida por 38% dos empregadores nacionais, ambiente por 35% e o impacto social por 33%”, detalha o ManpowerGroup.

Convém notar que em Portugal somente 6% das empresas ouvidas confessaram não pretender lançar uma estratégia de ESG e não ter objetivos definidos, “valor inferior ao global (11%)”.

As empresas de grande dimensão, revela ainda o estudo, são as mais avançadas neste âmbito, com 21% a ter já desenvolvido estratégias e incluído os progressos de ESG no seu relatório anual, e 52% a terem objetivos de ESG identificados e calculados.

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