Só um terço dos bancos europeus se posicionou para assumir papel de prestadores de serviços

Três meses depois da entrada em vigor da Diretiva de Serviços de Pagamento 2, a consultora Roland Berger divulgou um estudo onde conclui que 81% das instituições financeiras considera esta lei uma oportunidade.

A maioria das instituições financeiras europeias (81%) considera que a entrada em vigor da Diretiva de Serviços de Pagamentos 2 (PSD2), a 14 de setembro, é “uma oportunidade” para melhorarem o portefólio de produtos e serviços (33%), atrair novos clientes (26%) e desenvolver um ecossistema baseado na cooperação entre parceiros (18,5%). Contudo, há vários bancos – inclusive em Portugal – que ainda não clarificaram a estratégia de posicionamento para tirar partido dessas novas possibilidades.

Segundo um estudo da consultora Roland Berger, só cerca de um terço (35%) dos bancos já se posicionaram para assumirem o papel de Prestadores de Serviços de Pagamentos (TPP – Third Party Providers), de Informação de Conta (AISP – Account Information Service Providers) ou de Iniciação de Pagamento (PISP – Payment Initiation Service Providers).

A análise “Adaptar ou morrer? Por que razão a PSD2 tem fracassado em desvendar o potencial do Open Banking”, envolveu inquéritos a mais de 40 bancos e grandes empresas de tecnologia de mais 11 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Holanda, Noruega, Itália, Espanha e França. De acordo com o documento, as organizações encontraram essencialmente três obstáculos aquando da implementação da PSD2: incerteza na regulamentação (40%), ausência de informação sobre os requisitos (21%) e limitação de recursos e orçamento (14%).

Já os bancos – dos quais 42% veem a PSD2 como “oportunidade estratégica” – sentiram o travão neste processo devido ao ambiente de mercado difícil, às baixas taxas de juros, à regulamentação rígida e às infraestruturas de Tecnologias da Informação. “A maioria ainda se está a concentrar no cumprimento dos requisitos mínimos regulamentares, existindo um reconhecimento da lacuna entre as ambições estratégicas iniciais dos bancos e a implementação efetiva da PSD2”, explica o documento assinado pelos sócios Pontus Mannberg e Sebastian Maus.

“A maioria dos bancos acredita que a relação de proximidade e confiança que existe entre o cliente e a instituição é uma vantagem face à concorrência (em particular fintechs e neo banks), no entanto, estão cientes da emergência de um conjunto de novos concorrentes, que poderão ameaçar os seus modelos de negócios, como os grandes grupos de tecnologia como a Google, Amazon, Facebook ou Apple, com inegável capacidade de investimento, conhecimento profundo dos clientes e uma experiência de utilização que é parte core do seu modelo de negócio desde sempre”, referem os partners da consultora alemã.

A transposição da PSD2 para a ordem jurídica nacional foi feita através do Decreto-Lei n.º 91/2018, de 12 de novembro.

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