Sobrevalorização do imobiliário é “risco relevante” para a banca nacional, diz supervisor

O Banco de Portugal identifica uma tendência de “sobrevalorização no mercado imobiliário” desde o início de 2018, não se perspetivando, por enquanto, uma descida dos preços das casas. A sobrevalorização dos preços das casas é heterogénea a nível regional e deve-se sobretudo ao turismo e aos investidores estrangeiros.

A sobrevalorização dos preços das casas é um risco para a estabilidade financeira do país, segundo o Banco de Portugal (BdP). A manutenção das taxas de juro em níveis baixos empurra os investidores na busca de rendibilidade para o imobiliário que, no nosso país, tem sido impulsionado sobretudo pelo turismo e pelos não-residentes, colocando assim um risco aos bancos expostos a este tipo de ativos.

“Dada a materialidade da exposição dos bancos (…) a ativos imobiliários ou que beneficiem de garantia dessa natureza, a possível reversão dos prémios de risco e uma redução no valor destes ativos permanece como um risco relevante para a estabilidade financeira”, frisou o supervisor no Relatório de Estabilidade Financeira (REF), divulgado esta quarta-feira.

O BdP identificou uma tendência de “sobrevalorização no mercado imobiliário” desde o início de 2018, não se perspetivando, por enquanto, uma descida dos preços das casas. A sobrevalorização dos preços das casas é heterogénea a nível regional.

“Esta evolução tem refletido a forte dinâmica do turismo e do investimento por não residentes”, explicou o supervisor. “Tal facto faz aumentar a sensibilidade do mercado à atuação de não residentes, em particular numa situação de aumento dos prémios de risco a nível internacional”, adiantou no REF.

No entanto, o BdP concluiu que atualmente a banca está a conceder novos empréstimos de crédito à habitação a famílias com um menor grau de risco numa altura em que há menos novas operações de crédito à habitação e, no segundo trimestre de 2019, se registou uma diminuição do número de transações de compra e venda de imóveis nas principais regiões do país.

Relacionadas

BdP alerta que manutenção das taxas de juro muito baixas podem prejudicar a concessão de crédito

Segundo o Banco de Portugal, “a redução das taxas de juro de médio e longo prazo sinaliza que a Euribor só deverá retomar valores positivos num horizonte consideravelmente mais longo do que o antecipado” anteriormente.
Recomendadas

Revolut nomeia Elisabet Girvent para responsável de vendas em Espanha e Portugal

O seu objetivo passa por continuar a expandir os serviços da Revolut Business na região. A Revolut Business é o serviço bancário empresarial da Revolut. Esta solução encontra-se em funcionamento desde 2017 e foi concebida para atender às necessidades de start-ups, PME familiares e grandes empresas tecnológicas.

Noção de mercados emergentes na banca está morta, diz McKinksey. Ásia concentra crescimento

Os bancos na Ásia-Pacífico podem ganhar com uma perspectiva macroeconómica mais forte, enquanto que os bancos europeus enfrentam uma perspectiva mais sombria. “No caso de uma longa recessão, estimamos que a rendibilidade dos bancos a nível mundial possa cair para 7% até 2026 e para baixo dos 6% nos bancos europeus”, diz a Mckinsey.

Morgan Stanley avança com corte de 1.600 empregos

A redução de quadros, dada em primeira-mão pela “CNBC”, afetou cerca de 1.600 dos 81.567 empregados da instituição financeira e tocou a quase todos os cantos do banco de investimento global. O banco está a seguir os seus concorrentes no restabelecimento de um ritual suspenso durante a pandemia: a saída anual de pessoas com fraco desempenho.
Comentários