Solidariedade: Apenas dois em cada dez euros das vendas vão para a Unicef

Agência da ONU entregou a produção e comercialização dos produtos à gráfica espanhola Forletter a troco de ‘royalties’. Unicef fica com 18 a 20% das vendas.

REUTERS/Afolabi Sotunde

As causas humanitárias da Unicef recebem apenas dois em cada dez euros das vendas dos seus produtos no território nacional. A notícia é avançada pelo “Jornal de Notícias” e indica que a quebra se deve à mudança para a gráfica espanhola Forletter.

Ao comprarem os produtos, os consumidores não recebem quaisquer informações sobre a percentagem que vai de facto para a Unicef e o modelo de negócio só está especificado no separador “Política de privacidade”, como explica esta segunda-feira o JN.

Questionada sobre a hipótese de tornar estes valores mais visíveis para os portugueses, a diretora-executiva do comité português da Unicef garante ao jornal que “A Unicef também não o fazia quando assumia internamente os custos da produção e distribuição. Margarida Marçal Grilo realça que “as novas tecnologias fizeram com que os cidadãos e as empresas deixassem de comprar cartões de boas-festas da Unicef, substituindo-os pela troca de emails ou mensagens telefónicas”.

Em causa está a acentuada quebra na angariação de receitas, em Portugal. De acordo com o matutino, essa descida no ano de 2014, último período de produção e venda assegurada pela entidade das Nações Unidas, foi tanta que foram vendidos 90 mil cartões e 850 produtos. Em 2009, as vendas contabilizavam 1.600 mil cartões e 186 mil produtos.

“Chegámos à conclusão de que outras formas de angariação poderiam gerar um maior retorno para ajudar as crianças que aquelas que eram realizadas pelos comités nacionais”, disse ao JN a divisão de parcerias da Unicef, sediada em Nova Iorque. “Esta operação de licencing comercial [como por exemplo, o acordo celebrado com a Forletter para a Península Ibérica] implementada a nível mundial em 2013, permite à Unicef aumentar os recursos disponíveis, bem como as verbas para chegar a um maior número de crianças vulneráveis através dos programas de auxílio”, acrescenta.

Recomendadas

OE2023: Margem orçamental para função pública está esgotada

Na primeira reunião, realizada na segunda-feira, o Governo indicou que a valorização da administração pública iria custar 1.200 milhões de euros, incluindo aumentos salariais, progressões e promoções e a revisão da tabela remuneratória.

PremiumBdP revê inflação em alta, mas pico já deverá ter passado

Banco central projeta taxa de 7,8%, a mais elevada desde 1993 nos preços, levando a perdas reais nos salários, que crescem a uma taxa mais baixa. Juros em alta não devem criar terramoto na dívida.

PremiumSalário mínimo da Função Pública vai subir 57 euros

A base remuneratória da Administração Pública vai subir 8% em janeiro, o que significa que esses trabalhadores não perderão poder de compra. Já a maioria dos demais funcionários públicos vai ter aumentos abaixo da inflação.
Comentários