“Ser solidário deveria ser tão natural como beber água”

O International Club of Portugal – ICPT , liderado por Manuel Ramalho nasceu da necessidade dos cidadãos de todas as nacionalidades, culturas e sectores profissionais e sociais trocarem ideias e conhecimentos.

Em pouco mais de meia dúzia de anos tornou-se uma referência incontornável no associativismo em Portugal e com prestígio internacional, realizando cerca de dois eventos mensais onde figuras públicas de todos os quadrantes políticos, religiosos e de estrato social, realizam as suas intervenções.

Mas o “clube”, como Manuel Ramalho gosta de o apelidar, faz muito mais e as iniciativas ligadas a eventos de solidariedade já ajudaram muitas instituições com fins altruístas.

O presidente do ICPT tem um particular gosto em ajudar e as iniciativas de solidariedade aumentarão exponencialmente já a partir de 2017.

O ICPT é um dos nossos exemplos de bem-fazer. Questionado sobre solidariedade e a missão do ICPT plasmada nos seus estatutos, Manuel Ramalho prefere generalizar daquilo que todos deveriam fazer e não aquilo que o “seu” clube faz. “Não devíamos ter atividades dissociadas da solidariedade. Ser solidário devia ser quase tão natural como bebermos água ou respirarmos”.

Diz que no clube essa tarefa “tem sido relativamente fácil porque grande parte dos associados e dos patrocinadores, sempre que têm conhecimento da vontade do clube em desenvolver algum evento ou alguma atividade com um cariz mais solidário, ajudam na prossecução desse objectivo. Consequentemente, foi sempre relativamente fácil alocar uma determinada verba associada à faturação desses eventos para fins solidários”.

Frisa ainda que ao longo destes anos de vida do clube tem feito parte da respetiva “caminhada” fazer solidariedade e adianta que será “algo que, no futuro, pretendemos aprofundar muito mais. (Esse objetivo) está nos nossos planos”. O ICPT vai escolher uma instituição que será ajudada em todos os eventos no decurso desse ano. A iniciativa arrancará em 2017.

Com um mundo mais complexo e competitivo como deverão as empresas comportar-se? O tema não é simples mas Manuel Ramalho é taxativo: “Devíamos aprofundar essa apetência para a solidariedade, fazendo com que a vida das instituições e das pessoas que, por alguma razão, não tiveram o mesmo sucesso que outros, se tornasse menos difícil. Penso que quando isso começar a acontecer, as assimetrias ficarão mais suavizadas e todos ganharemos com isso. Todos teremos benefícios diversos com isso.”

E como responder às necessidades? E será que todas as necessidades são verdadeiras? O presidente do ICPT é assertivo e diz que as famílias têm passado por grandes dificuldades mas, frisa: “Infelizmente, também vamos identificando alguns focos de egoísmos exacerbados, com a existência de muitas pessoas que só têm óculos para os seus umbigos. Essas pessoas não estão com uma postura inteligente, estamos permanentemente em interação com os outros e ninguém poderá viver muito bem mesmo estando num castelo cheio de diamantes e de ouro, se à sua volta só existirem favelas”. Sustenta que quem teve mérito, talento ou sorte para ter uma vida em termos económicos e financeiros com mais prosperidade “não deve relegar para segundo plano, algum gesto de solidariedade para com os outros.”

Diz que a sociedade está mais inclusiva e que as crises como aquela que existiu recentemente “fizeram emergir o melhor e o menos bom que há na natureza humana. Conheço pessoas que se tornaram muito mais egoístas, muito menos preocupadas com o sofrimento alheio, até em termos de famílias, muitas vezes identificamos situações em que a coesão foi abalada, mas também conhecemos situações completamente opostas. No entanto, diria que em termos globais estamos mais coesos, mais solidários.”
Sobre o “Centro Social 6 de maio”, a instituição liderada pela irmã Deolinda, sobre a qual contamos a história neste suplemento, Manuel Ramalho relembra que também o ICPT já deu algum apoio.

“Chegámos ao Centro Social 6 de maio através de pessoas que conhecemos bem e que consideramos da idoneidade irrepreensível. Refiro-me a Dina Monteiro, desembargadora do Tribunal da Relação e ao presidente do Tribunal da Relação, Luís Vaz das Neves. Dina Monteiro conheceu por dentro o trabalho do Centro Social, e falou-nos dele com muito respeito e consideração. Ficámos com a convicção de que é um trabalho muito sério, sem notoriedade social, não é costume ver jornais ou revistas a falar daquele trabalho, mas é uma obra que merece muito respeito”.

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