PremiumBastonário denuncia falhas no “acompanhamento” das infraestruturas em Portugal

No programa Decisores, do JE, o bastonário dos Engenheiros diz que nos últimos anos houve um “grande desinvestimento” no acompanhamento das infraestruturas em Portugal. “O Estado deixou de ter quem vigie o que é seu”, diz Carlos Mineiro Aires.

O bastonário da Ordem dos Engenheiros, Carlos Mineiro Aires, é o convidado desta semana do programa Decisores, nesta edição apresentado por Ricardo Santos Ferreira, transmitido hoje, às 11h00, no site e nas redes sociais do Jornal Económico.

Está na reta final do seu mandato. Que balanço faz destes anos à frente da Ordem dos Engenheiros?

Em fevereiro vai haver eleições para a Ordem dos Engenheiros (OE). Eu já tinha feito dois mandatos enquanto presidente do conselho diretivo da região Sul e agora um mandato como bastonário. Apresentámos um programa bastante ambicioso e advertimos os nossos eleitores de que não era realizável num mandato. A OE precisava de ser reorganizada internamente e isso é um trabalho que ainda está por acabar; tem que funcionar de uma forma autónoma e dar resposta às necessidades dos engenheiros.

Hoje temos uma Ordem moderna, muito respeitada nacional e internacionalmente. Posso dizer, com orgulho, que somos chamados frequentemente pelo governo para darmos as nossas opiniões e apoiar determinadas decisões. Sobretudo, continuamos a ser uma Ordem muito respeitada e representa uma profissão imprescindível e de confiança pública.

Seria presunçoso da minha parte dizer que estou completamente satisfeito, porque não estou. Há muita coisa por fazer, mas obviamente que o balanço é positivo. Só os detratores é que não o reconhecem.

Falou em desafios. Que novos desafios é que a ordem enfrenta atualmente?

Nós somos herdeiros de um período muito mau para a engenharia. Antes de mais, devido à crise, que afetou muito os engenheiros civis, mas afetou, na generalidade, as restantes especialidades e originou duas coisas: [por um lado, assistimos a] um fenómeno novo que foi o expatriamento forçado de muitos dos nossos quadros; por outro lado, teve um aspeto positivo que foi a internacionalização da engenharia portuguesa, [nos domínios de] projeto, construção e serviços. A engenharia portuguesa tem hoje um lugar no mundo que é irreversível. O mercado nacional é exíguo em muitas áreas; hoje, o mercado é global e a engenharia soube dar resposta. Felizmente, vemos países com outro grau de desenvolvimento, nomeadamente da Europa, virem fazer recrutamento à Ordem, porque levam uma matéria-prima bastante boa, que não lhes custou nada a formar, que foi paga pelos contribuintes [portugueses]. Continuamos, no entanto, com um problema em Portugal: a empregabilidade está a subir, mas sem correspondência no aumento dos salários. É ultrajante termos sites oficiais onde são publicados empregos na casa dos 500 e 600 euros e que exigem experiência profissional a estes engenheiros. Temos alertado para esta situação; o próprio primeiro-ministro já referiu por diversas vezes que não quer ver o país a crescer à custa dos salários baixos, mas a prática ainda não demonstrou o contrário.

 

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