Sonae refinancia 150 milhões de euros com emissão de obrigações ESG

Parte da remuneração está associada ao reforço da presença de mulheres em posições de liderança e à redução de emissões de CO2. Estes financiamentos de natureza ambiental, social e de governança e são pioneiros a nível europeu.

A Sonae concretizou um conjunto de operações de refinanciamento indexadas ao desempenho do grupo em indicadores ambientais, sociais e de governo corporativo (ESG), certificados por uma entidade externa independente, no montante de 150 milhões de euros, avança o grupo em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) esta quinta-feira.

“Estas operações incluem objetivos específicos em termos ambientais e sociais, estando parte do spread agora indexado ao desempenho da Sonae na promoção da presença de mais mulheres em cargos diretivos e na redução das emissões de CO2”.

Entre as operações, “é de realçar a primeira emissão obrigacionista, de 50 milhões de euros, organizada pelo Banco BPI, com os referidos objetivos ESG. Trata-se de uma das primeiras operações de natureza ESG na Europa e a primeira na Península Ibérica associada a indicadores de performance específicos para a liderança no feminino”.

Estas operações permitiram “continuar a reforçar a posição de liquidez da Sonae e aumentar a maturidade média da sua dívida, sendo importante destacar que desde o início do ano já foram refinanciados mais de 830 milhões de euros em empréstimos de longo prazo”.

João Dolores, CFO da Sonae, disse, citado pelo comunicado, que “na Sonae, estamos seriamente comprometidos em criar valor social e ambiental, para além de valor económico. Sempre acreditámos que estes objetivos não eram incompatíveis. Incorporar metas que promovem a igualdade de género e a neutralidade carbónica na gestão financeira do grupo é mais uma forma de reforçar o nosso compromisso em prol de um futuro mais igualitário e ecológico”.

Recorde-se que a Sonae anunciou recentemente a revisão do seu Plano para a Igualdade de Género, com metas mais ambiciosas para a liderança no feminino, bem como o compromisso da neutralidade carbónica em 2040, dez anos antes da meta definida pela União Europeia.

Recorde-se que a Sonae foi distinguida como líder mundial no combate às alterações climáticas pelo CDP, organização não governamental de referência nos mercados de capitais pela classificação da performance ambiental de empresas e cidades. “O Grupo Sonae foi novamente reconhecido pelas suas ações concretas para reduzir emissões de gases de efeito de estufa, mitigar riscos climáticos e desenvolver a economia de baixo carbono, tendo evoluído para o patamar mais elevado – a “A List” – que reúne as empresas com maior pontuação do mundo em matéria de sustentabilidade corporativa ambiental”, revelava o grupo em comunicado.

O CDP, organização sem fins lucrativos criada há 20 anos sob o mote “Carbon Disclosure Project”, é a fonte de informação ambiental corporativa de referência para centenas de investidores e decisores dos mercados bolsistas em todo o mundo.

Recomendadas

Furacão Ian. Autoridades dos EUA esperam consequências “catastróficas”

O Estado norte-americano da Florida prepara-se hoje para a chegada do furacão Ian, que devastou o oeste de Cuba e que está “a intensificar-se rapidamente”, podendo ter consequências “catastróficas”, segundo os serviços meteorológicos locais.

Alterações climáticas. Terra aproxima-se do ‘ponto sem retorno’, diz primatologista Jane Goodall

“Sabemos o que devemos fazer. Quero dizer, temos as ferramentas. Mas deparamo-nos com o pensamento de curto prazo de ganho económico versus a proteção de longo prazo do meio ambiente para assegurar um futuro”, indicou a cientista que ficou conhecida pelo seu estudo pioneiro de seis décadas sobre chimpanzés na Tanzânia.

Ativistas aumentam pressão sobre governos para intensificarem esforços de ação climática

Até ao momento, mais de 80 processos judiciais foram iniciados em todo o mundo para “obrigar” os governos a intensificarem os esforços.
Comentários