S&P mantém rating e perspetiva do BCP inalterada apesar da Fosun

“Não consideramos o aumento de capital suficientemente grande para nos levar a tomar uma visão mais positiva sobre a sua capitalização”, realçou a S&P.

Rafael Marchante/Reuters

Mesmo depois da entrada da Fosun, através da subscrição privada de 175 milhões de euros de um aumento de capital que lhe deu 16,7% do capital do banco, a agência de rating manteve hoje o rating do BCP e a perspectiva Outlook+.

“Mantemos os ratings de crédito de longo e curto prazo em ‘B+’ e ‘B'”, respetivamente”, anunciou a S&P.

Ao mesmo tempo mantém o outlook [perspetiva] “positivo”, refletindo “as possibilidades de o banco continuar a fazer progressos na diversificação das suas fontes de financiamento, e o ambiente operacional para os bancos em Portugal estar a ficar menos arriscado”.

A agência de rating diz que o aumento de capital de 175 milhões de euros que foi subscrito pela Fosun não tem a dimensão suficiente para que seja adoptada uma “visão mais positiva”.

“Não consideramos o aumento de capital suficientemente grande para nos levar a tomar uma visão mais positiva sobre a sua capitalização”, refere a S&P.

“Reconhecemos, contudo, que o reforço de capital dá ao banco alguma flexibilidade para acomodar um pagamento parcial dos instrumentos híbridos de capital que ainda tem que reembolsar ao Estado”, indicou.

Segundo a S&P, também o perfil de negócio da Fosun, “que era um conglomerado industrial, em “transição de um conglomerado industrial para uma holding de investimento”, a sua presença limitada no setor bancário antes do negócio do BCP, a elevada alavancagem da dívida e a relativamente pequena percentagem que o BCP representa no portefólio de investimentos da Fosun”, levam a S&P a duvidar que o banco português venha a beneficiar de uma subida do rating que reflita o apoio do grupo.

Mas a agência também realça que a S&P espera que a Fosun seja um “acionista mais ativo do que passivo”, uma vez que pediu para ter representação no Conselho de Administração e porque assumiu o compromisso de ficar três anos com as acções. “Consideramos que a entrada da Fosun pode alterar o atual plano de negócio do BCP. Mas quaisquer mudanças, caso venham a ocorrer, só teriam lugar depois de o banco completar o plano de reestruturação acordado com a Comissão Europeia”, diz a agência

A S&P explica que a perspectiva “positiva” atribuída ao BCP quer dizer que o rating do banco pode ser aumentado nos próximos 12 a 18 meses. A agência consideram que o BCP tem uma marca sólida em Portugal, tem benefícios da diversificação geográfica derivados da sua lucrativa operação na Polónia, e os progressos alcançados até agora na sua reestruturação. O rating poderá melhorar se houver maior diversificação das fontes de financiamento do banco, a melhoria da rentabilidade no mercado português e a estabilização do sistema financeiro em Portugal.

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