Sri Lanka começa a formar Governo do novo primeiro-ministro

O Presidente do Sri Lanka, Gotabaya Rajapaksa, nomeou hoje os primeiros quatro ministros do gabinete do recém-nomeado primeiro-ministro, Ranil Wickremesinghe, que continua a procurar o apoio da oposição e formar maioria no parlamento.

“O Presidente Gotabaya Rajapaksa nomeou hoje quatro ministros para manter a legitimidade e estabilidade das atividades parlamentares e outros assuntos do país até que seja nomeado um gabinete completo”, refere um comunicado oficial da Presidência.

Os ministros escolhidos foram G.L Peiris (Negócios Estrangeiros), Dinesh Gunawardena (Administração Pública e Assuntos Internos), Prasanna Ranatunga (Desenvolvimento Urbano e Habitação), e Kanchana Wijesekara (Energia), todos membros do Podujana Peramuna do Sri Lanka (SLPP), partido de Gotabaya Rajapaksa.

A formação de um novo gabinete, que começou com a nomeação de Ranil Wickremesinghe como primeiro-ministro na quinta-feira, procura pôr fim à crise política que tem assolado o Sri Lanka há várias semanas, com milhares de pessoas a exigirem a demissão dos governantes.

Embora o irmão do Presidente e antigo primeiro-ministro, Mahinda Rajapaksa, se tenha demitido na segunda-feira, motivado por uma onda de violência desencadeada pelos seus apoiantes ao entrarem em confronto com manifestantes pacíficos antigovernamentais, tal não acalmou os ânimos da população, que continua a exigir a demissão do Presidente pela forma como geriu a crise económica.

Um descontentamento partilhado pelos principais partidos da oposição, que consideram que o novo primeiro-ministro não tem legitimidade, já que o seu partido tem apenas um lugar no parlamento, de 225 membros.

Ranil Wickremesinghe precisa do apoio da oposição para conseguir uma maioria parlamentar que lhe permita aprovar um novo orçamento com as reformas necessárias para o Fundo Monetário Internacional (FMI) ajudar a nação insular a sair da atual crise económica.

O primeiro-ministro, que ocupa o cargo pela sexta vez, escreveu hoje uma carta ao líder da oposição e dirigente do Samagi Jana Balawegaya (SJB), Sajith Premadasa, pedindo-lhe para que unissem forças.

“Todos sabemos muito bem que o Sri Lanka está a enfrentar uma crise económica, social e política colossal. É irrefutável que todos devemos unir-nos para pôr fim a esta crise, que se intensifica de dia para dia e estabelecer uma economia estável”, disse o responsável na carta.

Apesar do recolher obrigatório, imposto de forma intermitente desde segunda-feira, o Sri Lanka assistiu hoje a mais protestos em várias partes da capital, apelando à demissão do Presidente.

“Não concordamos com uma solução que venha sem a demissão do Presidente. Concordaremos com um governo provisório após a sua demissão”, disse o representante dos manifestantes, Vimukthi Dushantha, citado pela agência Efe.

Os manifestantes também protestaram contra a escassez de alimentos, combustível e gás de cozinha que se vive na ilha, que desde março tem falta de reservas monetárias internacionais, impedindo-a de importar esses produtos, e está presa numa espiral inflacionista.

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