Standard and Poor’s sobe rating do BCP, Santander Totta e BPI. Mantém Haitong

“Prevemos que o rácio de crédito problemático do setor bancário português na atividade doméstica possa aproximar-se de 6,0% no final de 2023”, refere a S&P.

Depois de, no passado dia 9 de setembro, a S&P Global Ratings ter subido o rating da dívida soberana de longo prazo de Portugal para ‘BBB+’ devido às contas públicas e crescimentos sólidos e ter mantida a perspetiva estável, a agência de rating emitiu uma ação de rating a quatro bancos portugueses, que na sua opinião, “têm feito progressos substanciais no reequilíbrio dos seus perfis de financiamento, tornando-os menos arriscados”.

Assim, diz a S&P, “subimos os ratings de longo prazo do Banco Santander Totta, Banco BPI e Banco Comercial Português e mantivemos as perspetivas destes bancos estáveis. Afirmámos também os nossos ratings do Haitong Bank e mantivemos a perspetiva estável”.

Em detalhe, a agência atribuiu os seguintes rating para bancos portugueses: para o Banco Santander Totta subiu o rating de emissor de longo prazo em um grau de ‘BBB’ para ‘BBB+’  e afirmou o rating de curto prazo em ‘A-2’. A perspetiva é estável.

No Banco BPI  “subimos o rating de crédito de emissor de longo prazo em um nível de ‘BBB’ para ‘BBB+’  e afirmamos o rating de curto prazo em ‘A-2’. A perspetiva é estável”.

No que se refere ao BCP, a S&P subiu o rating do banco enquanto emissor de longo prazo em um nível de ‘BB’  para ‘BB+’ e “afirmámos o rating de curto prazo ‘B’. A perspetiva é estável”.

No Haitong Bank  “reafirmámos as nossas notações de emissor de longo e curto prazo de ‘BB/B’ e mantemos a nossa perspetiva estável”.

A S&P traça um cenário otimista para a banca portuguesa, apesar de admitir uma deterioração da qualidade dos ativos que “deverá tornar-se mais evidente nos próximos trimestres”. No entanto “deverá ser gerível para os bancos portugueses”, defende.

Apesar da pandemia, os créditos improdutivos diminuíram em Portugal entre 2020 e 2021 e os primeiros meses de 2022, à medida que os bancos continuaram a reduzir as suas exposições a ativos problemáticos, herdadas do passado. Embora aqui persistam diferenças significativas entre os maiores bancos.

“Esperamos que o crédito em incumprimento aumente até ao final deste ano e no próximo, devido aos efeitos de uma inflação mais elevada, de uma atividade económica mais lenta, e de condições financeiras mais restritivas para os clientes, mas o impacto deverá ser gerível para os bancos enquanto a economia continuar a crescer”, diz a agência.

“Em particular, prevemos que o rácio de empréstimos problemáticos do sector bancário doméstico possa aproximar-se dos 6,0% até ao final de 2023 (5,6% no final de 2021), com o custo do risco, a nível doméstico, a situar-se em cerca de 65 pontos de base (bps), que compara com um valor estimado de 41 bps em 2021. Os problemas concentrar-se-ão muito provavelmente entre os clientes com debilidades pré-existentes que operem em indústrias afetadas por preços mais elevados de energia e mercadorias, tais como alojamento, serviços alimentares, transporte e armazenamento”, antevê a S&P.

Ao mesmo tempo a S&P espera que o mercado imobiliário permaneça relativamente dinâmico. “Prevemos que os preços das casas valorizarão mais lentamente, em comparação com um crescimento de 11,6% em 2021 e um crescimento médio anual superior a 9% em 2017-2020. A escassez de oferta de habitação e a procura de habitação por parte de não residentes têm contribuído para o aumento dos preços”, referem.

A proporção das transações imobiliárias residenciais financiadas por crédito hipotecário mantém-se muito inferior à da última crise financeira, cerca de 55% em 2021, que compara com 76% em 2009, constata a agência.

A agência espera que o aumento das taxas de juro beneficie o sistema bancário português nos próximos 24 meses, embora o controlo do repricing dos depósitos possa ser um desafio. A inflação mais elevada exercerá pressão sobre os custos operacionais e de crédito (imparidades). “Prevemos uma rentabilidade dos capitais próprios (ROE) de cerca de 5,5% em 2022-2023, o que representa uma melhoria em comparação com a média de 3% dos últimos cinco anos”, diz a S&P. Este rácio ainda estará abaixo do custo de capital dos bancos e é mais fraco do que o ROE de sistemas bancários mais fortes noutros países europeus. “Adicionalmente, prevemos que os bancos portugueses se mantenham eficientes, com o rácio de cost-to-income do sistema a rondar os 52%”, referem.

A agência de rating elogia o facto de os bancos portugueses terem reequilibrado significativamente os seus perfis de financiamento ao longo da última década. Os depósitos representam a maior parte das suas estruturas de financiamento e excedem as suas carteiras de crédito.

Além disso, a dependência dos bancos portugueses da dívida externa é agora muito mais limitada do que há uma década, refere a agência que lembra que nos últimos anos, os bancos recorreram apenas ocasionalmente aos mercados externos de dívida para aumentar o seu requisito mínimo de fundos próprios e passivos elegíveis.

“Por fim, acreditamos que, embora tenham usado linhas de operações de refinanciamento de prazo mais longo (TLTRO) direcionadas, num montante significativo (total de 22 mil milhões de euros no final de 2021, ou cerca de 10% do passivo total, de acordo com nossos cálculos), os bancos portugueses têm a capacidade de reembolsar os próximos vencimentos da TLTRO em 2023-2024 com os buffers de liquidez existentes e ainda mantêm rácios de capital regulatórios confortáveis. Em particular, estimamos que o rácio de cobertura de liquidez e o rácio de financiamento líquido estável (net stable funding ratio) do sistema bancário português se situem em cerca de 240% e 131%, respetivamente, após o reembolso total da TLTRO”, lê-se na nota.

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