Startup de “hackers bons” Immunefi capta 24 milhões

A empresa de Singapura, cujo CEO reside em Portugal, fechou uma ronda de investimento ‘série A’ encabeçada pela norte-americana Framework Ventures. Em menos de dois anos encaixou quase 30 milhões em capital de risco à conta da caça aos ‘bugs’ na blockchain.

A startup Immunefi, que opera no mercado da segurança de aplicações descentralizadas (DeFi), anunciou esta quarta-feira que angariou mais 24 milhões de dólares numa ronda série A, o que eleva o total de investimento captado para quase 30 milhões de dólares em apenas dois anos.

A empresa com sede em Singapura – que tem clientes e trabalhadores em Portugal, incluindo o próprio CEO – contou com este financiamento sobretudo da norte-americana Framework Ventures, sendo que também estiveram envolvidas as sociedades Electric Capital, Polygon Ventures, Samsung Next, P2P Capital, North Island Ventures, Third Prime Ventures, Lattice Capital e Stratos DeFi. Ou seja, alguns anteriores investidores.

Fundada em 2020, a empresa asiática desenvolveu uma plataforma digital de bug bounty (para relato de bugs, erros) nos sistemas criptográficos e outros serviços de cibersegurança na Web3 (blockchain) e, desde então, protegeu mais de 25 mil milhões de dólares em fundos de utilizadores, através de uma equipa de “piratas informáticos bons” – os chamados white hat hackers (hackers de chapéu branco) – que revê código de blockchain e smart contracts de projetos e deteta vulnerabilidades de forma alegadamente ética.

“Código aberto e vulnerabilidades associadas diretamente ao acesso a fundos monetários tornaram a Web3 o espaço de desenvolvimento de software mais hostil do mundo. Ao focar a atribuição de incentivos em white hats, a Immunefi já salvou milhares de milhões de dólares em fundos de utilizadores. Os projetos de cripto estão a perceber rapidamente que é melhor usar a Immunefi do que implorar publicamente a hackers para devolverem fundos ou pagar um resgate”, garante o fundador e CEO da Immunefi.

Mitchell Amador afirma ainda, em comunicado divulgado aos meios de comunicação social, que a empresa está a utilizar “este financiamento para aumentar a equipa de modo a dar resposta a esta enorme procura”. Embora não tenha apresentado detalhes de recrutamento, os novos investidores mostram-se “empolgados” na chegada dos próximos talentos, necessários para que “mais projetos chave” sejam integrados no seu ecossistema.

“A nossa participação na Série A da Immunefi representa o maior cheque individual que nossa empresa já alguma vez emitiu publicamente. A Immunefi é de longe a solução mais adotada no espaço de bug bounty e segurança para cripto”, admite Roy Learner, diretor da Framework Ventures.

Desde dezembro de 2020, quando foi criada, a Immunefi pagou 60 milhões de dólares em recompensas totais e ainda tem disponível um envelope de 136 milhões de dólares em recompensas para white hat hackers. Ainda assim, há piratas que encheram mais os cofres que outros: quem descobriu a vulnerabilidade na Wormhole (10 milhões) e na Aurora (6 milhões), ambas na blockchain.

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