Startup: ideia, plano de negócio e financiamento

Lançar um projecto de negócio já não está dependente do tradicional empréstimo bancário há muito tempo. O crescimento da actividade de capital de risco e dos business angels veio dar uma ajuda. Os apoios comunitários também existem, mas são escassos. Ideias de negócio todos temos. Mas quantas serão rentáveis? E quantas pedem mais financiamento do […]

Lançar um projecto de negócio já não está dependente do tradicional empréstimo bancário há muito tempo. O crescimento da actividade de capital de risco e dos business angels veio dar uma ajuda. Os apoios comunitários também existem, mas são escassos.

Ideias de negócio todos temos. Mas quantas serão rentáveis? E quantas pedem mais financiamento do que o dinheiro disponível? Nada como recorrer a verdadeiros especialistas. E há muitos no mercado, que podem ajudar o empreendedor no desenvolvimento de produtos e serviços e no financiamento para uma expansão mais sustentável e mais rápida.

Tendo a certeza de que o projecto tem pernas para andar a primeira fase passa pelos conhecidos 3F’s (friends, famiily abd fools). Este round zero de financiamento serve para testar a ideia, o website, as apresentações, as viagens e reuniões necessárias. Mas, só raramente um bom projecto se pode ficar por aqui em termos de financiamento. Se a ideia surgir no seio de um a universidade ou politécnico, há sempre a possibilidade de aproveitar a rede de contactos de professores e da própria instituição. Outra opção é a concorrer a prémios de inovação.

Ainda assim, o dinheiro pode continuar a ser escasso. Mas existem muitas formas de financiamento disponíveis para projectos verdadeiramente bons. A mais clássica é a banca. A maior parte  dos bancos tem programas específicos de crédito a empreendedores. Bancos que, para projectos mais pequenos e ainda no início, têm a modalidade do microcrédito.

 

Crowdfunding

Outra opção para o arranque passa pelo crowdfunding, ou financiamento comunitário. O crowdfunding é uma alternativa de financiamento colaborativo que conta com a ajuda da comunidade para doações anónimas, de forma a financiar determinado projecto através da Internet. O objectivo é ver projetos de cariz social, cultural ou empresarial que não teriam apoios ou financiamento no âmbito normal a tornarem-se realidade.

Segundo fonte institucional da Caixa Geral de Depósitos (CGD), o crowdfunding funciona de forma bastante simples. O empreendedor através de um vídeo e/ou texto explica o seu projecto, estabelecendo o que quer fazer, qual o montante mínimo que necessita e o tempo de angariação de fundos. Se no prazo estabelecido conseguir atingir o montante pretendido, o projecto recebe o financiamento. Se tal não acontecer, não existirão fundos para o projecto e quem investiu terá os seus fundos devolvidos.

As vantagens deste tipo de financiamento prendem-se com o facto de que terá sempre alguém disposto a financiá-lo. Num primeiro plano serão familiares e amigos, sendo que depois o círculo irá alargar-se a conhecidos através da promoção que o projecto irá ter. No último plano, o financiamento do projecto irá chegar a totais desconhecidos. A ideia é construir logo na fase inicial do projecto uma base de consumidores que poderão ajudar na fidelização e divulgação do plano, quando acabar a campanha de crowdfunding. Assim poderá conseguir atingir níveis de crescimento sustentado.

Poderá iniciar o financiamento do projecto em dois portais portugueses: o PPL e o Massivemov. Se pretende ter uma rede de apoio mais vasta existem portais internacionais para conseguir o objectivo, onde o Kickstarter é o mais conhecido.

Se é um empreendedor ou apenas um apoiante, saiba que para financiar um projecto poderá fazê-lo através de uma quantia monetária superior a cinco euros, transferida através de multibanco ou conta Paypal.

Mas, o que ganham os mecenas do projecto? O tipo de recompensas fica ao critério do empreendedor. As recompensas passam por formas de agradecimento pelo apoio prestado à angariação de fundos e dependem do valor do apoio dado. Por exemplo, se pretende apoio para um filme ou curta-metragem as recompensas podem passar por merchandising do filme como camisolas ou crachás ou até convites para a ante-estreia.

 

Microcrédito

Continuemos ainda pelo caminho mais fácil, por projectos mais pequenos e que precisam, pelo menos no arranque, de menos capital. Para estes o recurso ao microcrédito pode ser uma boa opção. Trata-se de serviço de financiamento que promove e apoia pessoas e micro-empresas com iniciativas empresariais viáveis.

Mas este tipo de empréstimo tem limites. Por exemplo, o Millenium bcp disponibiliza até 25.000 euros, por candidato, para a criação ou expansão do seu negócio, havendo dois tipos de empréstimo: individual ou em grupo. O prazo máximo é de 48 meses para montante até 7.000 euros e de 60 meses para montantes superiores. No caso do Millennium bcp, após o primeiro contacto será atribuído ao empreendedor um gestor de projeto que o contactará no espaço de 48 horas úteis. Nessa ocasião, será agendada uma primeira reunião, onde será informado de todos os procedimentos e documentação necessária para desencadear a operação de financiamento. Os gestores de projeto prestam um serviço de acompanhamento personalizado e permanente, em todas as fases do negócio.

À primeira vista, 25.000 euros podem parecer pouco. No entanto, o Millennium bcp tem já casos de sucesso no microcrédito. É o caso da loja vintage Vá de Retro, em Braga. Nesta loja, dificilmente vai encontrar uma peça com menos de 20 anos – mobiliário e candeeiros, mas também colecionáveis e utilitários que nos transportam para décadas passadas. Aquele espaço dedica-se à repescagem de peças antigas que são restauradas, mantendo a sua traça original, ganhando assim uma nova vida e encanto.

Apesar da percentagem reduzida que na Europa Ocidental os beneficiários do microcrédito representam, em relação ao total dos beneficiários a nível mundial, o movimento do microcrédito na Europa tem vindo a assumir cada vez maior importância, tanto em termos de beneficiários, como de países e instituições envolvidas. É de sublinhar que a grande maioria das organizações europeias centram as suas atividades não, apenas, em atividades de microcrédito mas, também, em outras atividades da microfinança.

 

Garantia mútua

A garantia mútua é outra forma de alavancar negócios. Trata-se de um sistema privado de carácter mutualista de apoio às micro, pequenas e médias empresas que se traduz, essencialmente, na prestação de garantias financeiras para facilitar a obtenção de crédito em condições adequadas aos investimentos e ciclos de actividade das empresas.
Esta característica mutualista, que resulta do facto das empresas beneficiárias das garantias serem accionistas de sociedades de garantia mútua, facilita o acesso das empresas ao crédito, ao partilhar o risco com outras entidades financeiras e libertando desta forma plafonds bancários e permitindo a obtenção de montantes, condições de custo e prazo adequados às necessidades, por norma com redução de outras garantias prestadas ao sector financeiro pelas empresas.

O Sistema Nacional de Garantia Mútua tem mesmo linhas específicas para iniciativas empresariais de interesse regional. Por exemplo, a sociedade de garantia mútua Lisgarante tem financiamentos até 45 mil euros por projecto com uma comissão de 2,5% para empresas com mais do que um exercício completo e de 3% para empresas com menos que um exercício (startup), sobre a garantia autónoma de 75% do financiamento bancário. Neste caso, o prazo de financiamento tem um mínimo de três anos e um máximo de seis, com um máximo de um ano de carência.

As sociedades de garantia mútua prestam todas as garantias necessárias ao desenvolvimento de actividades nos sectores da indústria, comércio, serviços, construção, turismo e transportes, sendo que através das sociedades de garantia mútua, as empresas podem obter qualquer tipo de garantia para apresentar perante organismos públicos, clientes, fornecedores, entre outros. Garantias a empréstimos, financeiras ou técnicas são apenas algumas das disponíveis, sendo que a utilização da garantia mútua como alternativa à banca tradicional permite, ainda, a diminuição do risco de crédito: utilizando estes plafonds, a empresa mantém intacta a sua capacidade de endividamento na banca, que consumirá unicamente em operações especificamente financeiras.

 

Business angels

E que tal ter alguém com quem pode falar cara a cara? É isso mesmo um business angel, um investidor que realiza investimentos em oportunidades nascentes (tipo startup ou early stage). Participa em projectos com smart money, isto é, para além de aportar capacidade financeira, também contribui com a sua experiência e network de negócios. Os business angels possuem uma série de características em comum, como sejam, “a realização de investimentos que normalmente variam entre os 25.000 e 500 000 euros; gostam de exercer a sua capacidade de mentoring dos projectos; buscam, não só um elevado retorno nos projectos em que investem, mas também novos desafios de preferência no seu país ou região”, explica a APBA – Associação Portuguesa Business Angels.

Já a FNABA – Federação Nacional de Associações de Business Angels realça que a comunidade de business angels tem, neste momento, ao dispor dos jovens empreendedores portugueses 42 milhões de euros. Esta quantia encontra-se disponível em 54 entidades-veículo que os business angels criaram para efectuarem os seus investimentos. Se é empreendedor e tem um projecto devidamente estruturado, contacte os responsáveis das associações da FNABA, que se encontram dispersas pelo território nacional, em www.fnaba.org.

Refira-se que o papel das associações de business angels (BA)  passa pela implementação de programas de preparação para o investimento. Estamos a falar de programas estruturados ou pontuais para optimização do processo de investimento, tais como o aconselhamento dos empreendedores ao nível da elaboração do business plan e das apresentações aos investidores;do apoio aos investidores (ICR) em termos de aconselhamento jurídico e fiscal e promoção de reuniões com outros BA. Por outro lado, os business angels promovem, ainda reuniões entre empreendedores e investidores (BA e/ou SCR) na divulgação e apresentação dos projectos.

Quanto aos sindicatos de business angels, são criados com vista a aumentar o montante do valor investido e poder de negociação dos business angels; a coordenação dos aspectos legais e de investimento; e a optimização do due diligence e da monitorização do investimento.

 

Capital de risco

O capital de risco é outra forma de financiar uma start-up. Como o nome indica, é  a entrada  no capital social de uma empresa, assegurando suporte financeiro ao seu desenvolvimento, e claro, com a expectativa de realizar lucro na saída, que normalmente é referido  como mais-valias.

O capital de risco pode ser definido como “uma forma de investimento empresarial, com o objectivo de financiar empresas, apoiando o seu desenvolvimento e crescimento, com fortes reflexos na gestão. É uma das principais fontes de financiamento para jovens empresas, startup’s e investimentos de risco com elevado potencial de rentabilização”, explica o IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação.

Comparado com outras fontes, como o crédito bancário, os subsídios públicos, as ofertas em mercado de bolsa e a angariação de investidores privados, o capital de risco destaca-se pela análise concreta dos projectos apresentados, do seu potencial de crescimento e da relação com o risco. Uma vez feita essa análise, e aprovado o investimento, o capital de risco assume um interesse directo na sua valorização e crescimento. Comparado com as outras formas de financiamento, é a única que assume o sucesso do negócio como o sucesso do seu próprio investimento.

Ao contrário das formas tradicionais de financiamento, o capital de risco assume integralmente os desafios do mercado, ao não ser recompensado pelos juros do capital investido mas sim pelo sucesso da empresa financiada. Enquanto um banco obtém a sua remuneração pelo juro e amortização do capital, os ganhos dos investidores de capital de risco estão dependentes do sucesso ou insucesso das empresas.

Para além da definição legal, o capital de risco – também chamado de capital de investimento, capital de desenvolvimento, venture capital e private equity – é uma técnica, modalidade ou forma de investimento que se caracteriza pela existência de um investidor profissional: aquele que investe em empresas com elevado potencial de crescimento, através da aquisição de participações no capital social de empresas, geralmente participações minoritárias, e sobre valores mobiliários não cotados em mercados organizados, com a expectativa de obter dentro de um horizonte de curto ou médio prazo, mais-valias decorrentes do seu investimento.

O investidor profissional compreende e reconhece o elevado risco a que se submete e que pode resultar na perda total do capital investido. O investimento em capital de risco dirige-se a novos projectos empresariais e a empresas não cotadas em mercado de bolsa, e parte substancial da mais-valia gerada será resultado da venda posterior da participação.

O investidor em capital de risco, todavia, não é um mero prestamista, mas sim um novo sócio da empresa: se esta fracassa, ele não retirará benefício algum do investimento. Se tiver êxito, terá direito a participar nesse sucesso.

A Caixa Capital, a Portugal Ventures e a ES Ventures são dos principais operadores em Portugal de capital de risco.

A Caixa Capital é a sociedade gestora de fundos de capital de risco do Grupo CGD e exerce a actividade desde que esta foi regulamentada em Portugal, há mais de duas décadas, dispondo de uma posição de destaque no mercado em termos de dimensão da carteira, dos fundos sob gestão e do montante investido. A Caixa Capital tem por missão “investir em fundos e projectos empresariais liderados por equipas de gestão qualificadas, com elevado potencial de crescimento e valorização, que perspetivem uma adequada remuneração dos capitais próprios e contribuam para gerar riqueza e bem-estar social, de forma responsável e sustentada”, diz fonte da empresa.

 

Portugal 2020

E há ainda os fundos europeus. São muitos, na verdade, mas poucos os destinados a startup’s.

Por exemplo, o programa Operacional Regional do Norte 2014-2020 destina-se à criação de emprego por conta própria e de empresas e microempreendedorismo, através de acções de apoio a incentivo ao investimento de pequena dimensão para expansão da actividade empresarial e para a criação de microempresas, sendo a criação de emprego critério fundamental de apoio; de apoio a iniciativas empresariais de micro e pequenas empresas de base local, especialmente em territórios de baixa densidade, promovendo a criação do próprio posto de trabalho e a diversificação da economia local; e apoio a investimentos de expansão ou criação de incubadoras/viveiros de empresas sociais.

No programa dirigido ao Norte de Portugal, o apoio à criação de empresas e ao empreendedorismo através do sistema de microcrédito será utilizado para apoiar algumas tipologias de ação. Diz o programa que os apoios à criação do próprio emprego, através do apoio a investimentos em incubadoras/viveiros de empresas e start-ups, contribuem para o aumento do emprego pelas seguintes razões: em alguns casos, as ideias de negócios para se traduzirem em actividade empresarial necessitam de suporte administrativo e financeiro. Este suporte é tão mais relevante para a criação de emprego quanto maiores forem as restrições dos beneficiários, como é o caso dos desempregados, inativos e desfavorecidos; as incubadoras/viveiros de empresas funcionam também como estruturas que partilham serviços e competências técnicas entre as empresas criadas gerando-se spillovers complementares que beneficiam a sobrevivência das empresas e o emprego sustentável.

Os principais grupos-alvo e tipos de beneficiários deste programa são desempregados, inactivos (em idade ativa), micro empresários e empreendedores, tendo como beneficiários as PME, associações empresariais, autarquias e empresas sociais e entidades do terceiro sector, agentes de desenvolvimento local, sector cooperativo e organismo que implementa o instrumento financeiro ou o fundo de fundos.

Os restantes apoios inseridos no programa Portugal 2020 são semelhantes, para as várias regiões do País. Até o programa dedicado à região de Lisboa, o que tem como prioridade o apoio ao empreendedorismo e à criação de emprego por conta própria. “A promoção do empreendedorismo é não só importante no quadro das políticas ativas de emprego, como é também um instrumento relevante para dinamizar o investimento privado, reforçar a competitividade da Região, e contribuir para a diversificação do tecido produtivo”, refere o POR 2020 de Lisboa.

“Pese embora a crescente relevância regional do empreendedorismo, através do desenvolvimento de diversos projectos como a criação de incubadoras e de start-ups, esta é uma área em que ainda há uma ampla margem de progressão e que necessita de ser fortemente estimulada”, adianta o documento.

Mas, os apoios são essencialmente ao empreendedorismo social, incluindo a promoção de start-ups sociais.

 

 

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